Leituras

Rosane Muniz

WSD 2009 – TRABALHOS BRASILEIROS EM SEUL V

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Como já foi divulgado aqui no blog, o iluminador Beto Bruel ganhou a medalha de ouro na categoria iluminação, lá no WSD, em Seul.

Abaixo, a matéria que saiu no jornal O Estado de S. Paulo falando sobre essa conquista.

Clique na imagem para viabilizar a leitura na versão ampliada. Em seguida, a íntegra da conversa que tivemos. Curtam o papo…

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Você já era um artista muito premiado em Curitiba antes de receber seu primeiro Shell em 2001 por Memória das Águas (Beto Bruel tem dezessete Gralhas e sete Poty Lazzaroto). Desde então, já foram muitos outros prêmios. O WSD 2009 é o seu primeiro prêmio internacional?

Fui indicado cinco vezes ao Shell e ganhei três (Memória das Águas, Av. Dropsie e Não Sobre o Amor). Fui também indicado ao Prêmio Carlos Gomes, de ópera, pela iluminação do O Castelo do Barba Azul, no qual a Daniela Thomas ganhou o prêmio pelo cenário. O WSD é meu primeiro prêmio internacional. 

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Na revista Luz & Cena de maio de 2008, você disse que o fato de ganhar um prêmio dificilmente faz com que o profissional ganhe um contrato melhor, o que significa para a iluminação brasileira este prêmio?

É muito bom ganhar o prêmio, mas acho que o destaque maior significa em termos de Brasil. Principalmente agora que a ABrIC foi efetivada como centro nacional, o reconhecimento é importante para mostrar ainda mais lá fora o que fazemos aqui, no Brasil. Ter visto em Praga o teatro feito na Turquia e em outros países durante a Quadrienal de 2007 foi um conhecimento profissional muito bom para mim. É bastante interessante que as pessoas vejam o que o Brasil faz e que saibam que aqui também tem bons iluminadores.

Quando você comprou o bar Café do Teatro, em 1997, você decidiu criar um prêmio novo pra que as pessoas pudessem conversar mais sobre teatro. Como foi isso?

Esse é o Poty Lazzaroto. Algumas pessoas reclamavam do Gralha Azul e aí inventamos um prêmio bem democrático. A urna ficava disponível no Café do Teatro e quem tivesse o DRT podia votar. Ela era lacrada por atores e técnicos que estavam no café e, no dia da apuração, vinham convidados para ajudar. Fazíamos a contagem de forma aberta ao público e tudo podia ser conferido pelo pessoal presente, pois os votos ficavam disponíveis para checagem.

Qual o critério que você usou para a escolha de Não sobre o Amor?

Se pegarmos peças que fiz com o Felipe Hirsh, não temos nada tão complicado no que se refere à iluminação. Mas neste espetáculo, não devia ter nada frontal. Usei só uma barrinha de LED fininha na boca de cena. Uma coisa que ajudou muito em Não Sobre o Amor  foi que o cenário chegou a Curitiba antes do ensaio começar. Tive quase trinta dias pra experimentar. Geralmente não se tem muito tempo para evoluir e amadurecer a ideia, mas como o Felipe demorou para achar o caminho para esta direção, eu pude ir ganhando tempo na luz. Quando ele achou, eu já tinha experimentado muitas coisas.O importante é poder trabalhar no teatro em equipe.

O lema da gente é que todos são obrigados a falar tudo o que pensam. Daí a aceitar ou não, cada um tem liberdade. Por exemplo, quando vi o cenário, comentei com o Felipe que ele tinha que poder girar. Dias depois ele apareceu e falou que o cenário não iria girar, mas quase. Desmontamos a caixa cênica e a montamos em posições diferentes, filmando a atriz entrando pela porta, deitando na cama etc. No espetáculo, as imagens filmadas são projetadas criando sobreposições e uma linguagem visual que ficou muito interessante. Já no espetáculo da Fernanda Montenegro, Viver sem Tempos Mortos, a ideia da luz dentro do tubo veio por sugestão da Daniela. A luz é muito simples, mas complicada. Todo grupo deveria ter uma equipe sem medo de falar.

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