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Se o país está em crise, imagina a área da cultura a quantas andam?

E se a dedicação à cultura já é um trabalho árduo, imagina então quando falamos de uma área bem específica como a cenografia?

E quando se trata de cenografia teatral, então? Nossa! Coisa de maluco, né? Pois é assim que muitos nos veem:
– Em que área você trabalha?
– Cenografia.
– O quê? Oceanografia?
– Não, senhor. Cenografia.
– Hã? Geografia?
(balanço a cabeça que não)
– Fonoaudiologia?
(faço cara de levemente impaciente)
– Ah… entendi! Pedagogia?
– Não, moço! (já com a voz não muito calma)
– Hummm… acho que agora eu entendi… Psicologia?
– É, moço… acertou, psicologia! (desisto. Pensando bem, até que ele não errou tanto assim).

Escrevi essa historinha inspirada por uma resposta que a Daniela Thomas deu a mim em uma entrevista em 2001. Levante a mão quem nunca passou por isso! rs

Pois então, na área cenográfica – que inclui aí a cenografia, o figurino, a iluminação e a sonoplastia (ou designer de som e outras nomenclaturas) – as verbas destinadas aos projetos de pesquisa, manutenção de acervos, exposições etc vêm, em sua maioria, senão totalidade, do setor público. E a partir de iniciativas individuais. Os acervos de Gianni Ratto (croqui abaixo), de Flávio Império e de Luiz Carlos Ripper são exemplos de que os familiares são ainda os grandes responsáveis pelos poucos acervos que temos em nosso país.

DULCAMARA

 

As exposições são criadas a partir de projetos levados por pesquisadores ou particulares às instituições públicas ou privadas, como SESC, Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil e Correios. Não temos uma associação de classe, apesar de inúmeras tentativas. As representações do país na maior exposição internacional da área, a Quadrienal de Praga, são apoiadas com muito custo pelo governo, mas organizadas a partir de dedicação e investimento de profissionais da área. A última, em 2015 (foto da exposição nacional Brasileira abaixo), só aconteceu com o trabalho voluntário de uma equipe da qual fiz parte, com uma ajuda do Minc que chegou muito depois dos gastos.

2015-06-17 06.52.56

 

 

Trago este assunto à tona porque um dos espaços que reúne interessados na área está prestes a fechar: o Espaço Cenográfico, de J. C. Serroni. Ok, é uma iniciativa privada, local onde também funciona o atelier do cenógrafo e figurinista. Mas lá, ele abre ao público sua biblioteca especializada em artes cênicas com cerca de 4 mil títulos; apresenta uma exposição permanente de maquetes realizadas por alunos com exemplos de palcos e cenografias que representam uma breve história do teatro (foto abaixo); além dos estudos e maquetes realizados para trabalhos desenvolvidos por ele, com sua equipe.

SERRONI-entradaEC

Antes da criação da SP Escola de Teatro, onde Serroni é Coordenador dos cursos regulares de Cenografia e Figurino, era lá que muitos interessados buscavam para se iniciarem ou aperfeiçoarem, com a oportunidade de trabalharem como assistentes nas criações do cenógrafo e figurinista, até alçarem voos solo. Até hoje, funciona como “um laboratório de pesquisa e de experimentação nas áreas da cenografia, arquitetura teatral e linguagens afins”, como ele mesmo diz.

SERRONI-fachadaEC

 

Em 18 anos, o Espaço Cenográfico (fachada do EC ao lado) realizou inúmeros cursos e palestras de convidados, e formou cerca de 200 novos profissionais na área, segundo o site da SP Escola de Teatro. Também promoveu a edição de uma publicação intitulada EC News, com 35 edições.

Por tudo isso, é importante colaborar para que o espaço sobreviva. Quem sabe um dia será criado o Museu do Teatro, com uma área destinada aos acervos da área cenográfica, e para lá pode ir este material, se continuar a ser preservado? Quem sabe com a união de Serroni com outras escolas e profissionais é que nascerá uma escola profissionalizante, com currículo à altura das instituições internacionais (tanto teórico quanto prático), tão necessária pra formação na área. Vontade de muitos para trabalhar em um coletivo na organização de uma ação como esta não faltam. Mas ainda falta muito esforço e desprendimento para que tudo isso se concretize. Mas se cada um fizer um pouquinho… sem julgamentos… mas isso já acho que é um sonho meu (rs).

J.C.SERRONI 1

 

Pois Serroni (autor do croqui ao lado) não consegue mais “bancar” sozinho este espaço e, com incentivo de parceiros e alunos, iniciou uma campanha de crowdfunding, que TERMINA HOJE! Para que o EC e não encerre suas atividades, todos podem colaborar. Há recompensas que variam de acordo com o valor destinado, mas não deve ser este o incentivo e sim colaborar para que sejam retomadas as ações do Espaço Cenográfico.

Participar é fácil!
-Escolha o valor da sua contribuição e sua recompensa.
-Escolha a forma de pagamento, boleto ou cartão de crédito (parcele em até 6x com parcela mínima de R$ 25).

Foram arrecadados até agora 78% do valor que paga as dívidas. E hoje é sua última chance de colaborar. Visite o site e doe, mesmo que com R$ 10,00.

Clique aqui e visite o site do Kickante para doar.

 

 

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