Relato de experiência (SP)

A Mon Liu sempre que participa de alguma experiência interessante na área da indumentária ou cenografia, escreve para o vestindoacena nos contando um relato da experiência. Obrigada, Mon! Aí vai:

“WEARABLE – HOME: OCUPANDO UMA VESTIMENTA”

A oficina realizada na “ASSAOC Oswald de Andrade” é parte da dissertação de Mestrado em Design, defendida em 2009, na Universidade Anhembi Morumbi, por Marion Velasco, artista plástica e jornalista de moda e estilo de vida.

Mostrando novas tecnologias e muitas imagens visuais, esta gaúcha descolada, talentosa e generosa já vivenciou e experimentou de tudo: performance, fotografia, música, arte, editoriais de moda, figurinos… Morou dois anos numa vida nômade dentro de um carro!

Partindo do século XVIII e XIX das próteses horizontais, onde teve uma aproximação do corpo com o design de mobiliário, da escultura e da arquitetura; a docente traçou um panorama global sobre o passado, presente e tendências em que a versatilidade, flexibilidade e novas formas de uso tiveram prioridade sobre a estética visual.

A vestimenta com múltiplas funções: de proteção, camuflagem, estética, ritualística, distinção social e comunicação. Falou-se na história da indumentária desde o séc. XV até chegar à Maria Antonieta, esposa de Luís XVI e seu “coudes” onde a questão do vestir e habitar toma forma… A famosa crinolina foi citada, bustles introduzidas. No Brasil, duas artistas plásticas criaram em cima do conceito wearable arte: Glaucia Amaral e Liana Bloise.

De olho na sustentabilidade, na praticidade e no conforto, investigou-se a arquitetura móvel com o conceito de heterotopia de Michel Foucault. Espaços reais, formando-se na base da sociedade e podem ser localizados geograficamente; mas estão fora, pois diferem dos lugares que elas refletem e discutem. Entre-lugares, justaposição, o lado-a-lado, dispersão.

Exemplos: navios, colégios internos, casas de repouso, hospitais psiquiátricos, prisões, cemitérios, teatro, feiras, circos, rituais de purificação (Santo Daime), bordéis.

Falou-se de Hussein Chalayan, Lucy Horta, Archigram e Ant Farm, Andrea Zittel, Michael Rakowitz, Winnie Bastian, Adrienne Pao e Robin Lasser, Joo Youn Paek, Anna Maria Cornelia de Gersem, Lucy McRae & Bart Hess, Steve Mann, Martin Ruiz de Azua, Vito Acconci, Sumumu Tachi, Aya Tsukioka, Yukinori Maeda, Teresa Almeida, Heather Ackroyd e Dan Harvey, Lucy McRae e Bart Hess, Giacomo Balla, CuteCircuit.

Trata-se das interrelações entre corpo, vestimenta e espaço. Possibilidades que ainda não viraram moda, mas protótipos apresentados em exposições, feiras, eventos, catálogos, sites. Atualmente alguns deles estão sendo desenvolvidos pela indústria têxtil para comercialização. A Philips Eletronics desenvolve pesquisas na área de tecnologia e vestimenta.

A oficina finalizou com um projeto individual de cada aluno dentro do conceito do curso. Teve performances, desenhos, figurinos, dança, um manequim Barbie feito de… aviamentos! Discutiu-se também os projetos dos alunos realizados antes já que o leque era bem aberto: publicidade, moda, dança, design de interiores, figurinista, estudantes de moda, estilistas, “performers”. Um estudo profundo da professora de Moda Marion, no qual muitos insights criativos e novas conexões surgiram… Adorei!

Mon Liu

(especial para o vestindoacena.com)

Dica do vestindoacena:

Leia o trabalho de mestrado de Marion Velasco no link http://www.anhembi.br/ppgdesign/pdfs/marion.pdf

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