O Théâtre du Soleil ainda está por São Paulo

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Tenho visto tanta coisa boa por São Paulo que mal dá tempo para postar tudo aqui no blog. Tive que escolher sobre o que falaria hoje e optei por trazer, mais uma vez, o Théâtre du Soleil para estas páginas. A trupe francesa permanece em cartaz no Sesc Belenzinho por mais três dias, já que abriram uma sessão extra integral na próxima quarta. Realmente uma experiência imperdível. Mesmo quem não está pela cidade paulista, deveria viajar para tentar um ingresso na fila de espera. Afinal, faz tempo que tentam trazer os espetáculos do Soleil para cá, mas com a estrutura que sempre têm, a negociação não é tão fácil (desta vez, com setenta pessoas e onze containers, que levam em média um mês  e meio de navio para chegar por aqui). Desta vez, o espetáculo se chama Os Efêmeros. Muito já se falou do contexto da peça nas reportagens, mas aqui aproveitamos para tratar dos elementos que “vestem” a cena. A música de Jean Jacques Lemêtre é inesquecível. A escolha de cada instrumento, de acordo com o “espírito” da cena, é tão delicada que faz chorar muitas vezes, sem ser piegas. Cada situação, cada momento da cena, recebem um som especial. A trilha da personagem Sandra, que era antes Samuel, é de uma sutileza, que se fixa em nossos ouvidos fazendo com que a gente sinta a presença da personagem antes mesmo que ela volte à cena. Já em outro momento, a singeleza do teclado de criança contradiz a tensão causada por um telefonema, fazendo lembrar a beleza da brincadeira anterior e trazendo lágrimas aos olhos por nos fazer, de forma tão simples, observar situações do cotidiano que infelizmente, na maioria das vezes, não encontramos tempo, na correria do dia-a-dia, para perceber. Mal tinha começado o espetáculo, e dois amigos de Sorocaba se levantaram e sairam do teatro. Voltaram quase quinze minutos depois. No intervalo fui ver se estava tudo bem. O motivo da saída foi a emoção provocada pela cena. Foi aí que ouvi: – “Me vi em várias das situações. Não aguentei! Tive que sair, pois estava aos prantos. Um absurdo que a gente precise do teatro para nos fazer parar e perceber coisas tão simples!” Essa é a magia deste espetáculo do Soleil. O realismo das cenas é tão simples, verdadeiro, que o trabalho todo que sabemos que tiveram, com dez meses de ensaio, caixas e mais caixas de cenários, figurinos, perucas etc é esquecido e faz parecer que estamos dentro de nossas casas, voltando ao passado ou mesmo no presente, visualizando nossas dores particulares, com a sinceridade da criança que ainda habita em cada um de nós. Muitos artigos estão sendo escritos a partir das provocações do Soleil. Aqui coloco um pouco do que tenho vontade de expressar. Os bastidores, o convívio com o grupo, a cozinha, o almoço com as crianças, o workshop com as figurinistas (que fizemos na USP e do qual eu e Fausto Viana estamos escrevendo um dossiê para a próxima revista Sala Preta, que será especial sobre o Soleil), os doces da Maria, as transformações de Shasha, da nossa querida Juliana Carneiro da Cunha, do Jeremy… Os detalhes das maquiagens, figurinos e cenários. O excesso realista nos carros circulantes que, a princípio, causa um certo estranhamento no seu rodar constante, mas que vai completando nossas sensações e preenchendo expectativas que nem mesmo faziam parte de nossas suposições. A técnica envolvida para o entra e sai de carros, para a sequência de cenários, é tão complexa, mas tão bem definida e ensaiada, que faz parecer natural. Se você ainda não viu, tem mais três dias de chance. Chegue cedo, madrugue, mas não perca esta oportunidade!

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4 Comentário(s)

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  • sabe que eu não ligo não. já não gostava do gênero. prefiro outro tipo de arte. beijos, pedrita

  • Pedrita, você tem certeza que conhece o trabalho do grupo da Ariane Mnouchkine? Tenho certeza, pelo que leio de suas opiniões, que você se apaixonaria pelo espetáculo. Acho que você confundiu com o Cirque de Soleil. Será? Muita gente faz essa confusão. O Cirque adotou esse nome em homenagem ao trabalho de Ariane com o Théâtre. Mas são trabalhos COMPLETAMENTE distintos! O Cirque eu também não fui ver. Não me agrada o gênero… tampouco o preço… Espero que você possa ver Os Efêmeros pra mudar esta sua impressão. Beijo

  • eu cheguei a conhecer o trabalho do théatre, mas não é o gênero que gosto. beijos, pedrita

  • Não cheguei ao ponto de chorar, como seus amigos de Sorocaba… Mas, fiquei extremamente emocionado com o espetáculo. Lindo lindo lindo!!!! :-)

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