Leituras

Luciana Buarque

Inspirações de Luciana Buarque: Albert Eckhout

 Albert Eckhout

(Por Luciana Buarque)

Antes de iniciar o processo de criação e desenvolvimento de um projeto, navega-se por várias fontes de pesquisas.

Quando se lida, em particular, com um personagem de época, é preciso compor para sua indumentária mais que uma simples forma realista correta.  É fundamental que o vestuário traga embutido a simbologia da época, representada nas cores, técnicas e materiais do período retratado.

Por meio da observação da obra de Eckhout é possível descortinar todos esses matizes simbólicos para compor o conjunto de peças que formam o quebra-cabeça de um personagem.


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Seu trabalho tem a amplitude de servir como várias fontes de observação, análise e referência.  Como uma crônica visual, sua pintura traz um retrato do cotidiano, da história, da geografia, da indumentária e da arte, do período em que viveu. Tudo a um só tempo.

ALBERT ECKHOUT 13Suas pinturas revelam hábitos rotineiros com tamanho requinte de detalhes, fazendo delas não só uma obra de arte, mas, sobretudo um profundo estudo antropológico de uma parte do período colonial brasileiro.

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Não se pode montar uma dramaturgia da imagem do Brasil do século XV sem passar os olhos e os sentidos pela obra de Eckhout.

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Biografia

(por Vestindo a Cena)

O Pintor e desenhista holandês Albert Eckhout, nasceu na cidade de Groningen, no ano de 1612. O pintor Ghehtert Roeleffs, era seu tio e seu mestre. Quando estava morando em Amsterdã, em 1637, trabalhava como ilustrador e foi convidado pelo conde Nassau-Siegen, conhecido em nossa história como Maurício de Nassau, para integrar sua expedição ao nordeste brasileiro. Na época Pernambuco era chamado de Nova Holanda, e o artista iria retratar o Brasil Holandês aos investidores europeus com a intenção de mostrar a eles a importância das terras ocupadas.

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No período de sete anos (de 1637 a 1644) que esteve no Brasil, Eckhout desenvolveu uma intensa atividade como documentarista da fauna, da flora e de tipos humanos com desenhos e telas. O artista ficou fascinado pelo que encontrou no país. E nesse período ele produziu cerca de 400 desenhos e telas a óleo, a maioria delas tinha mais de dois metros de altura. Elas foram pintadas para o Palácio de Friburgo, a residência de Nassau no Recife e foram levadas por ele, então governador-geral do Brasil Holandês quando foram expulsos do Brasil.

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O quadro A dança dos tapuias é considerado por muitos como sua obra-prima.

quadro A dança dos Tapuias

Depois do Brasil, Eckhout mudou-se para Amersfoort, Holanda (1648), cidade onde nasceram seus três filhos. Morou em Sachsen, Dresden (1653-1663), contratado por João Jorge II como pintor de sua corte. Mas, vitimado pela malária adquirida em sua estadia na América, voltou para sua cidade natal onde morreu no ano seguinte, em 1665.

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