Emilia Duncan

(1958, Niterói, RJ) Historiadora e Figurinista de Teatro, Cinema e Televisão. Trabalhou durante muitos anos na TV Globo, sendo autora de trajes que ficam na história como as criações para Caminho das Índias e Memórias de um Sargento de Milícias (Brasil Especial, 1995). No teatro, destaque para O Burguês Ridículo (1996) e A Dona da História (1998). E ainda, no cinema, inesquecíveis são os figurinos de Carlota Joaquina (1993), O Que é Isso, Companheiro? (1996) e Orfeu (1998)

Filha de uma geração que acreditava poder transformar o mundo, tudo na vida da historiadora e figurinista Emília Duncan “estava voltado para a questão social, o estudo do Brasil e das populações oprimidas”. Durante a fase da anistia brasileira, fez parte de um grupo de estudos de filosofia, no qual conheceu artistas e tomou contato com a ideia da reciclagem, encantando-se com o universo da transformação. Pensando em estudar em Paris, foi incentivada a vender as bolsas que antes confeccionava por mero prazer.

Ao terminar a faculdade de história, foi trabalhar no Arquivo Nacional e se encantou com a possibilidade de pesquisar. Criou sua marca própria e, já na primeira coleção, conseguiu aliar a moda à pesquisa histórica, disso resultando um convite para incursionar como figurinista no cinema. No entanto, Emília considera essa primeira experiência na área como o antifigurino, pois na moda “a roupa é a espinha dorsal”, enquanto o figurino “carrega uma significação muito mais forte porque sintetiza idéias”. Mesmo assim, foi ao estudar moda e história da indumentária em Nova Iorque que Emília aprendeu a usar a imaginação para criar e recriar seus figurinos. E acredita que hoje “os estilistas têm um papel na criação de imagem quase tão grande quanto os artistas plásticos tinham no Século XIX”.

Depois de ter criado figurinos para shows e cinema, iniciou sua carreira como figurinista teatral e, por gostar de desafios, aceitou trabalhar também na TV. O que Emília gosta, na verdade, é de conhecer linguagens novas e reverter padrões o tempo todo. Apesar de ser muito reconhecida por suas criações – ganhou quatro prêmios com os figurinos de O Burguês Ridículo –, acha que o teatro suga muito e, por esse motivo, é quase uma profissão de fé.

Mas, independente do veículo para o qual esteja trabalhando, a figurinista prefere mesmo é criar, recriar, questionar e pesquisar. As divagações sobre seu trabalho a remetem à lembrança do grande amigo Silvio Tadeu Burgos, que perguntava para ela: “Você já reparou que a gente gosta mesmo é de brincar de Deus”?

 

EMILIA DUNCAN- Burgues RidículoO ator Marco Nanini no teatro, em O Burguês Ridículo, 1996

EMILIA DUNCAN- Burgues Ridículo.2Croqui para O Burguês Ridículo, 1996

EMILIA DUNCAN- CarlotaCroqui para Carlota Joaquina no cinema, 1993

EMILIA DUNCAN- Lisbela 2

A atriz Débora Falabella no cinema, em Lisbela e o Prisioneiro, 2003

EMILIA DUNCAN- Lisbela

Croqui para Lisbela e o Prisioneiro, 2003

EMILIA DUNCAN- SargentoCroqui para o Major Vidigal, de Memórias de um Sargento de Milícias, 1995

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