Archive for the ‘Uncategorized’ Category

OS CARETOS DE PODENCE

Thursday, February 25th, 2010

Para fecharmos o tema Carnaval, ainda faltava o artigo sobre os Caretos de Podence. Então, vamos lá!

Podence é uma pequena aldeia, localizada no nordeste de Portugal, na qual, durante os festejos de Momo, grupos de homens saem as ruas para festejar e brincar o entrudo (ainda hoje esta terminologia é usada em Portugal).

As manifestações da brincadeira dos Caretos, na época do carnaval, é a reminiscência de rituais religioso e profano, que se confundem entre si. Fazem parte de uma tradição milenar transmontana, que se julga estar associada a práticas mágicas, relacionadas com os cultos agrários da fertilidade – como veremos abaixo – sobre a origem dos festejos carnavalescos.

Seu figurino é bastante colorido e são confeccionados com colchas franjadas de lã ou linho, normalmente nas cores verde, azul, preta, vermelha e amarela, tecidos em teares caseiros.

Assim como os Papangus e os Clóvis, os Caretos também escondem a cabeça entre duas máscaras de lata, madeira ou couro, pintadas de cores vivas, na qual se sobressai o nariz pontiagudo. Prendem uma fiada de chocalhos colocados na  cintura e uma correia pendurada a tiracolo com muitos guizos.

Seu principal objetivo, além da folia carnavalesca, é sair em bandos pelas ruas da aldeia, assustando principalmente as moças jovens que encontram pelo caminho.

A eles tudo se permite; o anonimato dá-lhes prerrogativas: dá-lhes poder. Por dois dias no ano os homens são crianças e quem mais brincar, mais poder tem. (Site de referência: www.caretosdepodence.no.sapo.pt)

Aproveito o momento para agradecer o carinho que a internauta Alexandrina de Brito tem para com o vestindoacena, fornecendo alguns dados e fotografias de Manuela Matos Monteiro sobre os Caretos de Podence.

CARETOS MUSEU1

CARETOS MUSEU2

Museu dos Caretos (Fonte: site www.caretosdepodence.no.sapo.pt)

CARETOS INDUMENTARIA1

CARETOS INDUMENTARIA2

Indumentária (Fonte: site www.caretosdepodence.no.sapo.pt)

CARETOS 1CARETOS 4

(Fonte: Fotógrafa Manuela Matos Monteiro. Fotografias gentilmente cedidas por Alexandrina  de Brito)

 

 

Celtas e o culto a fertilidade?

Para responder a esta pergunta temos que explicar brevemente a origem milenar desta festa pagã/católica, chamada de Carnaval.

 Seguindo por uma definição genérica, o Carnaval é uma festa popular coletiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos. Chamada de festas pagãs como um fenômeno social anterior a era cristã.

Alguns estudiosos afirmam que a comemoração do carnaval tem suas raízes em festas primitivas, de caráter orgíaco, realizada em homenagem ao início da primavera, em rituais agrários da antiguidade e em homenagem aos Deuses Celtas da fertilidade.  Homens e mulheres pintavam seus rostos e corpos, deixando-se enlevar pela dança, pela festa e pela embriaguez.

Muitas são as teorias e opiniões sobre a origem do carnaval. Mas em uma idéia todas elas convergem: a transgressão, o corpo, o prazer, a carne, a festa, a dança, a música, a arte, a celebração, a inversão de papéis, as cores e a alegria, fazem parte da matriz genética do carnaval.

A opinião de pesquisadores e historiadores sobre o carnaval não é unânime, tanto em relação à época do seu surgimento quanto em relação à origem da palavra carnaval. Há efetivamente duas correntes distintas na abordagem da origem da palavra e que se baseiam em duas oposições hoje presentes nas celebrações do Carnaval.

A primeira, em uma versão pagã, é a oposição entre a ordem e a desordem, entre o mundo visível e o quotidiano e as pulsões inconscientes, entre a representação e a vontade, entre o mundo que vemos e o mundo visto de cabeça para baixo. Nesta linha, a palavra carnaval teria a sua origem no vocábulo latino Carrum Navalis, os carros navais que realizavam a abertura das Dionísias gregas nos séculos VII e VI a.C., e onde a euforia e as inversões de valores se estendiam pelas ruas da cidade.

A segunda oposição, com origem marcadamente cristã, é entre a quaresma e o carnaval, o nome carnaval dos termos do latim “carne vale”, ou “carnem levare”, isto é “adeus carne” ou “despedida da carne”, esta derivação indicaria que no carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias de jejum quaresmal. A palavra surgiu quando o Papa Gregório Magno, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da quaresma para quarta feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao domingo anterior deu o título de “Dominica ad carne levandas”, expressão que se teria sucessivamente abreviado para “carne levandas”, “carne levamen”, “carneval” e carnaval, todas variantes de dialetos italianos, como o milanês, siciliano e o calabrês.

No Egito, na Grécia e em Roma, o povo de diversas classes sociais se reunia em praça pública com máscaras e enfeites para desfilarem, beberem vinho, dançarem, cantarem e se entregarem as mais diversas libertinagens.

 Muitas são, portanto, as interpretações da festa carnavalesca. Pagã ou cristã, libertadora ou característica da repressão, proveniente da cidade ou do campo, elitista ou popular, cósmica ou social, todos estes enfoques se enquadram, de um modo ou de outro, nela.

Agora é só esperar por ele. Que o Carnaval de 2011 venha logo.

Até lá

Enviado por Marizilda de Carvalho

ABERTURA OFICIAL DE ESCOLA DE TEATRO (SP)

Wednesday, November 25th, 2009

Tem abertura oficial hoje, na sede provisória do Brás, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes no Palco. Até domingo haverão duas palestras diárias sobre temas variados, às 16h e às 19h30, intercaladas por leituras dramáticas e espetáculos teatrais.

Dia 26/11 abrem as exposições: Espaços teatrais (de J.C.Serroni), Fotografia de Palco (Lenise Pinheiro), Instante Eterno (Bob Sousa), Perpetuar o Efêmero (Adalberto Lima). Entrada gratuita.

SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco
Avenida Rangel Pestana, 2.401 – Brás, São Paulo SP
T 11 2292-7988 – 2292-8143
Consulte programação completa no site da Escola.

GT FIGURINO NO COLÓQUIO DE MODA (RECIFE)

Wednesday, October 21st, 2009

Aconteceu no Recife, de 27 a 30 de setembro, o 5º Colóquio de Moda. Apesar de trabalhos e estudos sobre figurinos terem sido apresentados nas outras edições, foi a primeira vez que o tema teve um espaço específico para ser levado à reflexão. Houve dois Grupos de Trabalho: Trajes de Cena (Coordenado pelo Prof. Fausto Viana – ECA/USP e pela Profa. Maria Cristina Volpi – EBA/UFRJ) e Figurino e Design de Aparência de Atores – caracterizações visuais em diferentes meios e suas interfaces com a moda (coordenado pela Profa. Maria Alice Ximenes – UAM/SP e pela Profª Adriana Vaz Ramos – PUC/SP). Abaixo, os trabalhos apresentados em cada grupo.

Traje de Cena:

Carolina Bassi: A Construção Plástica dos Personagens Cinematográficos – uma investigação feita a partir da obra de Federico Fellini

Fausto Viana: Antes que não haja mais pano para a manga- alguns museus que conservam trajes na Europa

Maria Paulina van de Wiel Barros: A indumentária Ritualística nos cerimoniais de Aruanã

Nara Salles e Carolina Salles: O traje na encenação do texto O jato de Sangue, de Antonin Artaud

Rosane Muniz: A Trajetória de Gianni Ratto na Indumentária

 

Figurino e Design de Aparência de Atores:

Adriana Vaz Ramos: O design de aparência de atores como duplo do homem

Ana Carolina Jobim Rodrigues: A moda na dança - um estudo sobre Alexandre Herchcovitch e Deborah Colker

Bárbara Formiga e Ana Paula de Miranda: Futuro do pretérito – uma análise dos figurinos futuristas de filmes de ficção científica

Gustavo Augusto Tavares Cavalheiro: Avatarização e Personalização

Flavio Roberto Lotufo: O processo criativo de Flavio de Carvalho ao elaborar sua Experiência nº 3

Maria Alice Ximenes: A Construção do traje de dança no Flamenco

Marilia Vieira Soares: O processo criativo na construção do figurino e personagem em dança

 

 Histórico do Colóquio

O primeiro Colóquio de Moda foi sediado pelo Centro Universitário Moura Lacerda, na cidade de Ribeirão Preto. Contou com a participação de 16 instituições de ensino e pesquisa, integrando pesquisadores de nove estados brasileiros. Nos três dias de encontro (manhã e tarde), foram apresentados 77 trabalhos selecionados por um conselho interestadual.

A segunda edição foi pela UNIFACS, na cidade de Salvador. Contou com a participação de 23 instituições de ensino superior em moda no Brasil. Nos dias de encontro (manhã e tarde), foram apresentados 154 trabalhos selecionados por um conselho interestadual.

A terceira edição do congresso ocorreu em Minas Gerais, pela CIMO. A Feevale sediou a quarta edição em Novo Hamburgo (RS), onde foram apresentado mais de 200 trabalhos selecionados de profissionais e estudantes do Brasil, divididos em três Chamadas de Trabalho: Painel, Comunicação Oral e GT.

CURSO HISTÓRIA DA MODA (SP)

Tuesday, July 21st, 2009

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O cenógrafo e prof. Cyro del Nero aproveita as férias de julho para oferecer um curso sobre a história da moda.

Segundo a divulgação do curso, as aulas não se limitam a historiar a Moda, mas a apresentar sua história como roteiro do conhecimento humano. Ainda informam que revelar a discussão Ego e Persona no comportamento humano e uma ação assinada por períodos, estilos e estilistas, mostrando a mutação contínua, é um dos objetivos do professor.

O programa do curso é dividido em quatro aulas:

27 de julho – Por que a moda efêmera?

28 de julho – O século da vaidade

29 de julho – O século XIX

30 de julho – O século XX: Haute Couture; Moda no Brasil

Data: 27 a 30 de julho (2a a 5a)

Horário: 19h às 22h

4 aula |  12 horas

Preço R$ 480,00 em até 2 parcelas

Local: Escola São Paulo

Rua Augusta, 2239

Informações e Reservas: (11) 3081.0364

Vagas Limitadas

ESPAÇO PARA REFLEXÃO

Wednesday, June 24th, 2009

Sempre peço para as pessoas escreverem para o vestindoacena contando resultados de oficinas, trabalhos etc, afinal acho interessante . É interessante que este espaço sirva como meio para dividir conhecimento e experiências. A aluna Julia Sato, do curso Têxtil e Moda, da EACH-USP, nos enviou um emocionante relato sobre suas criações. Leia abaixo:

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          Concurso Moda Inclusiva

         Tema: Primavera e Outono

O Concurso Moda Inclusiva coordenado pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e apoio do PenseModa, Vicunha, São Paulo Fashion Week e Universidade Anhembi Morumbi, incentivou estudantes universitários de todo o Estado de São Paulo a apresentarem propostas de vestuário adaptado que atendessem às demandas do público com deficiência. O mercado de vestuário para pessoas com deficiência ainda é pouco explorado.  No Brasil, existem hoje 24,6 milhões de pessoas com deficiência. Somente no Estado de São Paulo são cerca de 4,2 milhões, ou 17% do total do país. Nos últimos anos, esse nicho vem crescendo e o tema tem ganhado ainda maior relevância em função da Lei de Cotas (Lei 8213/91), que estabelece uma reserva percentual de vagas em empresas aos trabalhadores com deficiência.  No desfile final do concurso, ocorrido no ultimo dia 9 de junho de 2009, foram apresentadas diversas propostas adaptadas às necessidades dos deficientes. 

Por exemplo, as roupas que receberam a terceira colocação no concurso foram desenvolvidas por Julia Harumi Sato, estudante de Têxtil e Moda da EACH-USP. As peças com o tema “Primavera e Outono” foram inspiradas nas características das estações do ano, nas composições de Vivaldi, na obra de Antoine de Saint-Exupéry, nas bailarinas de Fernanda Bianchini, nas cenas do filme “Dolls” de Takeshi Kitano e nos jogos e brincadeiras destinados aos deficientes visuais.  A idéia proposta pela finalista do concurso foi criar roupas para crianças cegas, mas que não se diferenciassem visualmente por esse aspecto numa busca pela inclusão verdadeira.

AS PALAVRAS DE JULIA SATO:

São roupas adaptadas à suas realidades, no meu caso, as modelos eram bailarinas. O enfoque principal das criações estava no desenvolvimento dos sentidos primordiais para as crianças como o tato, a audição e o olfato através do estímulo das sensações.  Como enfatiza a famosa frase em o Pequeno Príncipe, obra literária infantil (“o essencial é invisível aos olhos”), o essencial das roupas não estava na visão, mas no invisível. O invisível nesse caso foi logo percebido e identificado pelas bailarinas com deficiência visual que descobriram os detalhes das roupas, como o bordado em pérola do corpete com a frase em braile de Antoine de Saint-Exupéry, os seis botões removíveis da blusa que combinados formavam todo o alfabeto braile, as texturas diferenciadas das folhas na saia que lembravam o jogo de memória para cegos, no perfume de lírio das flores aplicadas e no som dos botões inspirado no boneco Braillín.

A satisfação pelo trabalho veio da constatação de que o objetivo da proposta havia sido alcançado. As crianças se divertiram com as roupas e as bailarinas brilharam no palco. Pela primeira vez na vida elas sentiram que uma roupa havia sido feita sob medida para elas, em todos os aspectos. O essencial realmente é invisível aos olhos. 

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Agradecimentos: Thalia Macedo e Thalia Matos (modelos deficientes visuais), Organização do Desfile, Jurados, Olivia (stylist), Ana Cristina, Família Sato, Henrique e Neide Yagi, colegas e professores de Têxtil e Moda, Ana Clara Almeida, Lys Sugano, Livia Kishimoto, Paula Rindeika, Denise Shirane, Harumi Adachi, Mariana Brites, Michele Simões, Fernanda Bianchini e Fundação Dorina Nowill. 

Apoio: Vicunha Têxtil e Só Dança (acessórios de balé).