Archive for the ‘Opinião’ Category

ESPAÇO PARA REFLEXÃO

Wednesday, June 24th, 2009

Sempre peço para as pessoas escreverem para o vestindoacena contando resultados de oficinas, trabalhos etc, afinal acho interessante . É interessante que este espaço sirva como meio para dividir conhecimento e experiências. A aluna Julia Sato, do curso Têxtil e Moda, da EACH-USP, nos enviou um emocionante relato sobre suas criações. Leia abaixo:

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          Concurso Moda Inclusiva

         Tema: Primavera e Outono

O Concurso Moda Inclusiva coordenado pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e apoio do PenseModa, Vicunha, São Paulo Fashion Week e Universidade Anhembi Morumbi, incentivou estudantes universitários de todo o Estado de São Paulo a apresentarem propostas de vestuário adaptado que atendessem às demandas do público com deficiência. O mercado de vestuário para pessoas com deficiência ainda é pouco explorado.  No Brasil, existem hoje 24,6 milhões de pessoas com deficiência. Somente no Estado de São Paulo são cerca de 4,2 milhões, ou 17% do total do país. Nos últimos anos, esse nicho vem crescendo e o tema tem ganhado ainda maior relevância em função da Lei de Cotas (Lei 8213/91), que estabelece uma reserva percentual de vagas em empresas aos trabalhadores com deficiência.  No desfile final do concurso, ocorrido no ultimo dia 9 de junho de 2009, foram apresentadas diversas propostas adaptadas às necessidades dos deficientes. 

Por exemplo, as roupas que receberam a terceira colocação no concurso foram desenvolvidas por Julia Harumi Sato, estudante de Têxtil e Moda da EACH-USP. As peças com o tema “Primavera e Outono” foram inspiradas nas características das estações do ano, nas composições de Vivaldi, na obra de Antoine de Saint-Exupéry, nas bailarinas de Fernanda Bianchini, nas cenas do filme “Dolls” de Takeshi Kitano e nos jogos e brincadeiras destinados aos deficientes visuais.  A idéia proposta pela finalista do concurso foi criar roupas para crianças cegas, mas que não se diferenciassem visualmente por esse aspecto numa busca pela inclusão verdadeira.

AS PALAVRAS DE JULIA SATO:

São roupas adaptadas à suas realidades, no meu caso, as modelos eram bailarinas. O enfoque principal das criações estava no desenvolvimento dos sentidos primordiais para as crianças como o tato, a audição e o olfato através do estímulo das sensações.  Como enfatiza a famosa frase em o Pequeno Príncipe, obra literária infantil (“o essencial é invisível aos olhos”), o essencial das roupas não estava na visão, mas no invisível. O invisível nesse caso foi logo percebido e identificado pelas bailarinas com deficiência visual que descobriram os detalhes das roupas, como o bordado em pérola do corpete com a frase em braile de Antoine de Saint-Exupéry, os seis botões removíveis da blusa que combinados formavam todo o alfabeto braile, as texturas diferenciadas das folhas na saia que lembravam o jogo de memória para cegos, no perfume de lírio das flores aplicadas e no som dos botões inspirado no boneco Braillín.

A satisfação pelo trabalho veio da constatação de que o objetivo da proposta havia sido alcançado. As crianças se divertiram com as roupas e as bailarinas brilharam no palco. Pela primeira vez na vida elas sentiram que uma roupa havia sido feita sob medida para elas, em todos os aspectos. O essencial realmente é invisível aos olhos. 

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Agradecimentos: Thalia Macedo e Thalia Matos (modelos deficientes visuais), Organização do Desfile, Jurados, Olivia (stylist), Ana Cristina, Família Sato, Henrique e Neide Yagi, colegas e professores de Têxtil e Moda, Ana Clara Almeida, Lys Sugano, Livia Kishimoto, Paula Rindeika, Denise Shirane, Harumi Adachi, Mariana Brites, Michele Simões, Fernanda Bianchini e Fundação Dorina Nowill. 

Apoio: Vicunha Têxtil e Só Dança (acessórios de balé).

AUGUSTO BOAL VAI…

Saturday, May 2nd, 2009

Uma pessoa generosa, sábia, que muito me ensinou no pouco contato que tivemos. Entrei em contato com Augusto Boal em 2000 para conversar sobre figurino teatral para a pesquisa do livro que começava a escrever. Conversamos como se amigos há muito tempo e a partir de então, trocávamos e-mails acompanhando os “fazeres” um do outro. Boal sempre foi muito atencioso, solícito…  Votei no seu nome e o indiquei para o Nobel da Paz, acompanhei seus discursos e atitudes sobre o Teatro Fórum, Teatro do Oprimido etc etc etc. Sua conquista da aposentadoria, sua luta contra a doença…

Sempre dinâmico, ativo, participativo. Não preciso falar mais para demonstrar a falta que Boal fará entre nós e para o teatro brasileiro. Leia abaixo a mensagem de Augusto Boal para o Dia Mundial do Teatro, em 27 de março de 2009:

Mensagem de Augusto Boal para o Dia Mundial do Teatro, 27 Março de 2009

Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver. Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de ideias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro! Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro. Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana. Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa – nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias. Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: – “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”. Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento – é forma de vida! Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

Boal, continue fazendo seu teatro sempre!! Una-se aos nossos que já foram e aos cidadãos comuns dos céus e continue seu trabalho de transformar também por aí! Vá em paz! Viva na continuidade, pois no nosso pensamento continuará mais vivo do que nunca. Obrigada!

Augusto Boal

“O teatro tem, através da imagem, a função de revelar a realidade. Por exemplo, existem animais que não são capazes de brincar, como o galo e a galinha, que não brincam nunca. O morcego fica pendurado e você pensa que ele está brincando, mas está dormindo, não sabe brincar. Tem outros animais como o gato, cachorro, cabritinho, especialmente os jovens, que brincam. Mas nenhum animal é capaz de brincar fazendo de conta. O ser humano é o único que faz de conta. Quer dizer, eu faço de conta que sou feliz, ladrão, médico, doente… Nenhum gato faz de conta que é cachorro. Gato é gato. O ser humano faz de conta e, ao fazer de conta, cria uma nova realidade. A maravilha do teatro é criar essa nova realidade. E essa imagem do real é real enquanto imagem. Você faz de conta uma coisa, mas esse fazer de conta é real. Esta é a função geral do teatro: fazendo de conta, você cria uma realidade nova e nessa realidade você analisa a realidade na qual vive e ensaia a forma de transformação. Isso tem a ver com figurino, tem a ver com cenário, tem a ver com tudo que é relacionado aos meios sensoriais de comunicação que, no teatro, são o olho e o ouvido”. (Boal em entrevista para Rosane Muniz, em 2001 para o livro Vestindo os nus – o figurino em cena)

Leia matéria sobre Augusto Boal no site de O Globo.

Pequisa estética da Cia. Nova de Teatro (SP)

Tuesday, March 24th, 2009

faustus1.jpg Como não poderemos conferir o espetáculo antes da segunda quinzena de abril, resolvemos publicar uma crítica escrita pelo ator e diretor Francisco Taunay para o site Opinião e Notícia, em 13 de março de 2009, e registrar a dica para o espetáculo que mostra uma criação técnica merecedora de considerações e reflexões. Por favor, quem assistir, deixe aqui seu comentário.

Doutor Faustus Liga a Luz, direção de Lenerson Polonini
Tudo é surpreendente nesta mistura de teatro, balé e ópera que inaugura o novo Teatro Anexo da Oficina Cultural Oswald de Andrade, na cidade de São Paulo. O impacto da encenação acontece já no primeiro instante, onde vemos a mão de uma bailarina iluminada por leds e seu figurino com um fio de luz fluorecente, que dá um tom exótico ao espetáculo. A partir daí, com o aparecimento do Doutor Faustus (o hábil ator Marçal Costa, que parece um grande Nosferatu, se adaptando perfeitamente ao tom expressionista da peça), o público encontra um universo muito bem construído, com autômatos, seres meio humanos, meio robôs, representados pelos personagens do Garoto e do Cachorro, personagens trágicos, como a vizinha/cantora ou a bailarina que prefigura uma espécie de coro, e o grotesco, exemplificado pela pequena figura que aparece

em cena. Somente a presença de Margarida Ida e Helena Anabela (o mesmo personagem, uma espécie de duplo), humaniza a cena com a interpretação de Carina Casuscelli.O vídeo aparece ora como cenário, com imagens das conquistas científicas, guerras, o homem na lua, grandes sábios e imagens abstratas, ora como personagem, na figura de Mephisto: o ator Paulo César Pereio, filmado em closes que se alteram com a distorção e a composição de imagens, com sua voz e interpretação que marcam a cena, num encontro perfeito entre ator e personagem. Posso dizer que nunca vi num espetáculo um uso tão bom do vídeo (algo que geralmente aparece no teatro como um elemento mal utilizado), certamente realçado pelo branco dos figurinos. A música eletrônica de Wilson Sukorski dá um tom contemporâneo ao ambiente, mas não só isso; ela também se faz presente de forma poderosa, no canto dos atores, do lírico ao rap, apropriada a esta espécie de ópera. O mito do Fausto, do homem que vende a alma ao diabo em troca de conhecimento, permeia a literatura ocidental ao longo de cinco séculos, sendo que suas versões mais conhecidas são as peças do dramaturgo inglês contemporâneo de Shakespeare, Christopher Marlowe (1563-1593) e do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, considerada por muitos como a obra máxima do romantismo alemão. Spengler escreve sobre as sociedades fáusticas, que buscam dominar a energia, e cujo mito é o motum perpetuum. Nesta versão de Gertrude Stein, criada originalmente como um libreto de ópera pela escritora americana da vanguarda do século vinte, o Doutor Faustus negocia sua alma com o diabo pela invenção da luz elétrica: “Eu sabia que lá podia ter luz não luz do luar luz estelar luz do dia e luz de vela, eu sabia eu sabia eu via a luz reluzente, eu via de repente ela, eu a via na minha frente, eu a via brilhar, eu disse eu eu eu devia ter essa luz(…).” Sim, o texto é um fluxo, com poucas pontuações, onde a ação dos atores se mistura com as falas e o canto dos personagens, um desafio à racionalidade, uma espécie de aplicação da teoria da relatividade, em voga na época, no campo da literatura e das artes. Penso que como espectador presenciei um momento único, o encontro de uma pesquisa estética que dura já quase dez anos, empreendida por Lenerson Polonini à frente da Cia. Nova de Teatro, com montagens de Beckett, Joyce, Heiner Muller, amparadas pela teatralidade de Meyerhold e os atores marionetes de Gordon Craig, com um texto que está em perfeita sintonia com esta estética. O espetáculo ainda precisa amadurecer, principalmente na conquista do rigor necessário às mudanças de uma cena para a outra e na sua parte final, mas é barbada entre as estréias de 2009.

Serviço:  Doutor Faustus Liga a Luz, com a Cia. Nova de Teatro Texto: Gertrude Stein
Direção: Lenerson Polonini
De 09 de Março a 28 de abril Segundas e Terças-feiras às 20 h Teatro Anexo da Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363- Bom Retiro, São Paulo-SP Próximo ao Metrô Tiradentes/
Lotação: 50 lugares
Tels: 3221.5558/ 3222.2662/ Reservas: 7225.3466

Entrevista com Doris Rollemberg (RJ)

Friday, March 13th, 2009

“O teatro é a arte do encontro e do diálogo entre a encenação e os espectadores.”, esta frase dita pela cenógrafa e figurinista Doris Rollemberg, revela a sua generosidade e dedicação tanto como professora, como profissional que se dedica à arte teatral.

 Em entrevista realizada por Antonio Carlos Bernardes em 07 de novembro de 2008 e divulgada no site do Centro Brasileiro de Teatro para a Infância e Juventude (CBTIJ) – clique no link se quiser ler a entrevista no próprio site do Centro, Doris relembra parte de sua trajetória e dá um depoimento envolvente, que merece ser reproduzido neste blog. Abaixo, a reprodução do texto da CBTIJ:

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Desde pequena vou ao Teatro

Meu pai e minha mãe sempre se preocuparam muito com minha educação e estudos. Desde pequena eles sempre nos levaram ao teatro, meus irmãos e eu. Entretanto, a primeira peça que me marcou de verdade, não foi uma produção para crianças. Eu tinha onze anos e fui assistir Pippin, com Marco Nanini e Marília Pêra, no Teatro Adolpho Bloch. Meus pais queriam muito ver esta peça, mas não tinham com quem nos deixar, e por isso fomos todos. É incrível como aquilo foi realmente um marco para mim. Acredito que foi toda a situação: foi a primeira vez que saímos para o teatro à noite. Era um musical, o que talvez para, uma criança, chamasse mais atenção ainda. Lembro que tinha muita cor, muitos cenários e figurinos.

Sempre assisti a muitos espetáculos. Com 17, 18 anos eu ia muito desde ao Teatro Mesbla ao Teatro dos Quatro. Eu assisti todas aquelas peças dos anos 80, mesmo assim, ainda não pensava em fazer teatro.

O começo da carreira

Eu comecei a fazer teatro, meio que por acaso. Estudava arquitetura, gostava muito de História da Arte. No fundo achava que meu caminho seria algo relacionado a isto. Porém um dia, vi no jornal O Globo, um anúncio de um curso de cenografia com o José Dias, que eu não fazia a menor idéia de quem fosse. Apesar de assistir à várias peças, eu não me preocupava em ler os programas das produções.

Resolvi fazer o curso no período de férias e me encantei. Foi assim que descobri a cenografia. Imediatamente o José Dias me chamou, junto com o Gil Haguinauer para trabalhar com ele. O primeiro espetáculo foi Disque M para Matar. Depois disso eu fiz mais de quinze peças como sua assistente. Eu brinco que o Dias me apresentou a porta dos fundos do teatro, que para mim é tão importante quanto a porta da frente, do público, porque quando entramos pelos fundos, não saímos mais. Continuei no curso de arquitetura, e por sugestão do Dias, comecei a fazer Cenografia na UNIRIO, e foi neste curso que me encontrei e percebi que era no espaço do Teatro que eu gostaria de criar.

E mesmo não tendo deixado de lado a arquitetura, acho que foram estudos muito importantes para mim. A arquitetura amplia a visão de cenógrafo. Ela trabalha com o macro, com o micro, com o lado artístico e com o técnico. A cenografia e a arquitetura têm uma afinidade muito grande, porque ambas têm a capacidade de criação do espaço. E o que mais me encanta é a possibilidade de criar o espaço para o outro.

É na relação com o outro e com o seu olhar, ou seja, a partir do seu ponto de vista, com o duplo sentido de posicionamento – localização física e subjetiva – que a cenografia se instala, se desenvolve e interessa. Saber olhar, conhecer, entender, dialogar, para assim, responder ao olhar do outro a fim de se chegar à forma adequada. Mudar de lugar. Colocar- se em seu lugar.

Os primeiros infantis

Apesar de muita gente achar o contrário, que é dor e sofrimento, para mim, a criação é o momento de alegria e integração. O primeiro trabalho aconteceu em 1985 de forma muito natural. Na UNIRIO fui da turma do Luiz Antonio Pilar, hoje diretor com quem faço ainda vários trabalhos, onde também estudava o Fábio Ferreira e Moacir Chaves. Nós resolvemos então montar o infantil Cadê o Peixe?, no Teatro Dulcina. A direção foi do Moacir e tinha o Fábio, o Pilar e o Alexandre Boccanera como atores. Nós éramos colegas e todos experimentavam novas idéias, e juntos, íamos errando e acertando. Foi um infantil muito bacana, pode até não ter sido bom tecnicamente, mas valeu a pena, pois estávamos todos fazendo aquilo pela primeira vez. Só acho que não deveríamos ter mudado o nome original que era Souzalândia. Foi com esse nome que ela estreou em São Paulo e fez muito sucesso.

Meu segundo trabalho como cenógrafa, foi o infantil Pedro e o Lobo, com direção de Beto Crispun, que hoje assina como Beto Brown. O Beto me chamou para fazer esta peça após eu ter trabalhado como assistente de cenografia do Gil Haguinauer na peça Morangos e Lunetas que ele dirigiu. Pedro e o Lobo estreou em 1986, no Teatro Cândido Mendes. Foi tudo acontecendo muito naturalmente e eu não cheguei a sentir esta pressão do primeiro para o segundo trabalho.

Em paralelo a estes trabalhos de cenografia, eu desenvolvia o que chamo de “arquitetura promocional” que são projetos de stands. Durante muito tempo, eu trabalhei na Encol – empresa de engenharia. E como eu conseguia conciliar a arquitetura com a cenografia, o teatro para mim tinha uma certa leveza, era um lugar de brincar, de encontrar os colegas. Não que não fosse uma profissão, mas eu não sentia aquele “peso”, pelo contrário, só tinha coisas boas.

Meu terceiro trabalho como cenógrafa também foi um infantil dirigido pelo Beto, chamado Puxa que Bruxa. O Beto foi muito importante para mim nesta época. Outra experiência que foi fundamental foi participar do Projeto SESC Ensaios com a Bia Lessa no SESC Tijuca. Foi entre os anos de 1986 e 1987. Estavam lá também o Moacir, o Jefferson Miranda, o André Monteiro e o Márcio Viana. No projeto a Bia apresentaria quatro diretores que dirigiriam orientados por ela. No final ela escolheu o José Luis Rinaldi, o André Monteiro, o Márcio Vianna e o Alexandre Boccanera.

No mesmo período, a Bia montou e dirigiu Ensaio n° 1, que achei um dos espetáculos mais bonitos que assiti. Era um projeto que acontecia no SESC Tijuca, do qual eu participei e fiz a cenografia da montagem do André Monteiro, chamado Exercício nº 3. Fiz também as cenografias para as montagens do Márcio Viana e do Alexandre Boccanera e chegamos a elaborar o projeto do Tio Vânia, que acabou não vingando. Foi uma fase muito importante, pois eu acompanhei, de perto, todos os ensaios e montagens da Bia, que é uma diretora que eu admirava muito.

Colegas de trabalho

O primeiro grupo que trabalhei foi com o Toninho (Antonio Guedes), que eu conheci através do Walter Lima Torres. Hoje o Walter está trabalhando no Folhetim (Revista de Ensaios sobre Teatro) e também atuando como professor. O Toninho ocupava o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, junto com a Ângela Leite Lopes, Fátima Saadi, Cláudia Vianna e Alberto Tibagi. Então, em 1987, montamos para o teatro adulto, O Olhar de Orfeu, escrito pelo Alberto e dirigido pelo Toninho. Procurei fazer um cenário que representasse a busca do Orfeu. A montagem foi no pátio interno do Fórum e o público assistiu das janelas dos andares superiores. Até hoje trabalho com o Toninho com a proposta de ser uma equipe criativa desenvolvendo um projeto de encenação, e não trabalhando apenas por uma montagem específica.

Três anos depois, em 1990, conheci o João Batista, outra pessoa muito querida na minha vida. Ele é um excelente profissional, um diretor como todos deveriam ser, não levanta a voz, ouve e debate outras propostas diferentes da sua. Foi na peça Tambores da Noite, com direção do Luiz Fernando Lobo. Ele estava no elenco também fazia a assistência de direção, enquanto que eu fazia o figurino. Nós dois logo começamos a ter uma afinidade muito grande, porque o Luiz Fernando também trabalhava com esta idéia marcar reuniões com a equipe para conversar sobre a criação. Muito parecido com o que fazíamos no Fórum. No ano seguinte, montamos Um Céu de Asfalto, o Cláudio Moura fez a cenografia e eu novamente fiz os figurinos.

No mesmo ano, em 91, trabalhei com o Luca Rodrigues na peça A Bela e Fera, dirigida pelo Gilberto Gawronski. O Luca era produtor e também estava no elenco. O cenário era apenas um platô de ferro pendurado por cabos de aço, que representava o castelo da Fera. Durante uma das apresentações, escutei um menino da platéia comentando com a mãe que conseguia imaginar o cenário como algo fechado, aquilo me deixou muito emocionada, porque não tinha porta, não tinha nada, e naquele momento vi que o menino tinha comprado a idéia do espetáculo. Trabalhei em mais duas produções com o Luca, desta vez ele dirigindo, no que ele chamava de trilogia do Encontro: em 1993, estreamos A Bela Adormecida e em 94, A Bela e Pele de Asno.

Em paralelo, logo que conheci o João, nós, o Roberto Guimarães e o Renato Machado passamos a nos reunir, lá em casa, para assistir filmes do Fellini, estudar e ler críticas. Desses encontros veio a idéia de montarmos textos do Gorki. A montagem chamava Gorki. Esboço dramático em um ato. A dramaturgia foi do João, eu fiz a cenografia, no elenco estavam Roberto, Sérgio Machado, Giselda Mauler e Sonia Praça. A temporada foi no Sérgio Porto, apesar de belíssimo, o trabalho não deu muito resultado.


Cenário do espetáculo
A incrível História do
Homem que Bebia Xixi, 1995.
Foto Murillo Meirelles

Em 1995, o João adaptou A Incrível História do Homem que Bebia Xixi, nosso primeiro infantil juntos. Apesar de ainda não sermos uma companhia oficialmente formada, trabalhávamos e criávamos juntos. Tínhamos grandes afinidades estéticas e éticas em relação ao fazer teatral, e por isso, desde a peça do Gorki já pensávamos em criar uma companhia.

Talvez inconscientemente aqueles filmes que assistimos do Fellini tenham influenciado o espetáculo, em relação ao uso das cores, o exagero, a cor sobre outra cor, estampa sobre estampa. Tanto neste trabalho como nas peças seguintes, Volpone (1996), Esconde-Esconde (1996) e
E-PA-MI-NON-DAS (1997), usamos bastante uma estética que se tornou a linguagem que caracteriza a cia dramática de comédia.

Teatro infantil não é trampolim

Apesar de existir a cultura de que teatro para crianças é trampolim para o teatro adulto, eu discordo completamente disso. Eu comecei com um infantil por acaso, foi uma idéia que partiu do Moacir Chaves e do Alexandre Boccanera. Acho até que é mais difícil trabalhar com teatro infantil, pois você precisa ser mais teatral, trabalhar mais a teatralidade . O fundamental, porém, será sempre o ator e a palavra. Os outros elementos criativos são importantes, mas não fundamentais. E é preciso valorizar o teatro e este precisa reconquistar sua platéia. Tem um texto belíssimo, chamado Público Ignorado, de George Banu que trata dessa questão. Segundo a tese dele, e que eu concordo plenamente, é que a reconquista do espectador está relacionada com a configuração do espaço teatral.

Os espaços cênicos e a dramaturgia

Acima de tudo é preciso haver um espaço bastante sólido de diálogo entre o cenógrafo e o diretor. Esta vai ser a base para o processo de criação da encenação. É a partir do estabelecimento desse ‘espaço da relação’ com o diretor que vai surgindo a proposta da espacialidade. Não acredito só na inspiração, até brinco com meus alunos de que não vai baixar o caboclo e pipocar idéias. Acho que o processo criativo que tem mais a ver com a percepção e muito trabalho. Criação é desenhar, pensar e repensar. Acredito que a proposta cênica já traz em si, o que acabo de defender em meu doutorado, o geometral do espaço cênico. É um espaço de dimensões adicionais para além da planta baixa. Esse traçado já pressupõe a quarta dimensão espacial que é o tempo e a quinta dimensão que é o olhar do espectador, este por sua vez, é gerador de vetores imaginários e subjetivos que agem em deslocamentos constantes. Vetores de ação e de mão dupla.

O teatro é uma arte que diferente da pintura e ou de outras manifestações artísticas não produz algo que ‘fica’. O teatro não deixa nada. A única herança que ele pode gerar é a possibilidade do espectador continuar recriando, em sua memória, essas encenações. Macunaíma, por exemplo, me marcou muito. Talvez se eu descrevesse hoje a encenação, ela seria até uma outra obra.

Recriando a caixa cênica

Voltando à questão do espaço, particularmente sou bastante crítica à caixa cênica italiana. Ultimamente venho trabalhando com a idéia de repensar o conceito da caixa a partir de seus fundamentos essenciais, como os reguladores, que dividem a caixa cênica em seções transversais. No infantil, A Moreninha (2001) e nos adultos, Tartufo (1999) e Sete Gatinhos (2006) eu trabalhei o que eu chamo de “fatias da caixa”: cortinas que abriam e fechavam dividindo espaços. Como na maioria dos casos, projetamos para a caixa italiana, esta foi uma forma de aceitá-la.

Devemos voltar a pensar o Teatro, pela origem da palavra, que é “o local de onde se vê”. Ou seja, a partir do ponto de vista , com o duplo sentido de posicionamento – localização física e subjetiva – do espectador. É assim que a cenografia se instala, se desenvolve e interessa.


Cenário da Festa de entrega
do 10º Prêmio de Teatro
Coca-Cola, em 1997.
Foto Paulo Rodrigues

Quando eu li o texto A Filha do Teatro e comecei a conversar com o Toninho sobre o conceito da encenação foi esse mote: o fatiar da caixa, que propus para a cenografia. Como eram três versões diferentes da mesma história, pensamos em replicar o espaço da caixa cênica. Três atrizes contando a mesma história a partir de diferentes pontos de vista e variando os personagens. O que tem tudo a ver com o conceito da 5ª dimensão que venho desenvolvendo. Nós instalamos duas platéias, onde cada espectador tinha, ao mesmo tempo, dois pontos de vista, pois há projeção da cena que ele vê de costas. Dessa forma conseguia brincar com o conceito da caixa cênica projetados arcos de proscênios.

Em 2007, na peça do David Herman, Anton e Olga, a história de Tchekov e sua esposa também trabalhei com a idéia de caixa. Os personagens viviam em momentos e espaços diferentes. Criei dois cubos que se entrelaçavam criando um espaço de interseção, onde eles se encontravam. E é isso que venho fazendo, tentando, através dos espetáculos: retrabalhar a caixa cênica.

O teatro tem trabalhado, atualmente, com criações específicas para um determinado local. Esse fenômeno pode ser visto como uma proposta para falta de espaços teatrais, como crítica à caixa. Mas também não deixa de ser uma forma de reconquistar o público. O BR3, por exemplo, foi encenado num rio poluído. E neste caso, podemos repensar conceitos relacionados ao olhar, ao ponto de vista. Voltamos, então, para a origem da palavra teatro, “de onde se vê”.

Expectativas para o Teatro

Eu gostaria que houvesse mais respeito e mais profissionalismo em relação aos profissionais de teatro. É preciso que haja, entre os profissionais que trabalham nesta área, uma conscientização maior da importância deste trabalho. Pois quando isto for percebido, haverá uma articulação maior entre nós. Não é à toa que temos perdido espaço na mídia, perdido prêmios etc. Gostaria que tanto o Teatro para Crianças como o Teatro Adulto voltassem a ter importância na formação dos novos cidadãos, porque é a cultura que faz um povo. Gostaria que as companhias também chegassem à uma estabilização maior e que houvesse um olhar mais atento, tanto da rede pública como das empresas privadas. E esta conscientização e articulação devem partir dos profissionais de teatro. .

Tem uma coisa que o Amir Haddad falou numa entrevista: o Teatro é a arte do futuro. Embora eu não seja tão romântica quanto ele, isto faz sentido, pois vivemos num mundo onde as relações estão cada vez mais virtuais. E o teatro voltará a ter força quando percebermos a importância da interação presencial. O teatro é a arte do encontro e do diálogo entre a encenação e os espectadores. Eu quero cada vez mais fazer teatro, seja para crianças ou para adulto.

Espetáculos para Crianças e Jovens
Como Cenógrafa e Figurinista em Teatro Infantil e Jovem

  • 1987 – Cadê o Peixe?, direção Moacir Chaves, Teatro Dulcina
  • 1987 – Semente de Tupã, direção Paulo de Oliveira, Teatro América
  • 1993 – O Conquistador, direção de André Monteiro, Teatro Villa Lobos
    Como Cenógrafa
  • 1986 – Pedro e o Lobo, direção Beto Crispun, Teatro Cândido Mendes e Teatro Cacilda Becker
  • 1987 - Puxa que Bruxa, direção Beto Cruspun, Teatro do Planetário
  • 1991 – A Bela e a Fera, direção Gilberto Gawronski, Teatro SESC Tijuca
  • 1993 – A Bela Adormecida, direção Luca Rodrigues.Teatro Nelson Rodrigues
  • 1993 – Namoro, direção Franncis Mayer, Teatro Casa Grande
  • 1994 – A Bela e a Pele de Asno, direção Luca Rodrigues, Teatro Nelson Rodrigues
  • 1994 – A Incrível História do Homem que Bebia Xixi, dir. João Batista, Espaço 3, Teatro Villa-Lobos
  • 1995 - Volpone, direção de João Batista, Teatro de Arena
  • 1996 – Pedro e o Lobo, de Prokofiev, direção Ricardo Gomes, Teatro Delfin
  • 1996 – Esqueceram de Nós, direção Tânia Nardini, Teatro Sesi
  • 1996 – Esconde-esconde, direção de João Batista, Teatro do Planetário
  • 1997 – E-PA-MI-NON-DAS, direção João Batista, Teatro Museu da República
  • 1997 – Dê Uma Chance ao Amor, direção Rosane Gofman, Teatro BarraShopping
  • 1997 – Mê Segura senão eu Danço, direção geral Tânia Nardini, Teatro Villa Lobos
  • 1997 – O Menino Minotauro, direção Antonio Cadengue, Teatro Barreto Junior (Recife)
  • 1998 – O Guarani, direção de Cláudio Handrey, Teatro Rubens Corrêa
  • 1998 – George Dandin, direção de João Batista, Teatro Glaucio Gill
  • 1998 – As Meninas, direção de Franncis Mayer, Teatro Cândido Mendes
  • 1998 – Sonho, Suor & Sucesso e Fama, direção de Tânia Nardini, Teatro do Leblon
  • 1999 – O Jogo do Amor, direção de Antonio Guedes, Jardins do Museu da República
  • 2000 – O Jogo do Amor, direção de Antonio Guedes, Theatro Fernanda Montenegro (Palmas)
  • 2001 – A Moreninha, direção Tânia Nardinni, Teatro Rubens Corrêa
  • 2002 – A Rua dos Cataventos, direção Antonio Guedes, SESC Tijuca
  • 2002 – O Mundo é Grande, direção João Batista, Teatro Glória
  • 2003 – As Aventuras de Robinson Crusoé, dir. João Batista, Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim
  • 2004 – Caia na Gandaia, direção João Batista – Teatro II CCBB, 2004. Teatro Laura Alvim
  • 2008 – Procura-se Hugo, direção Luís Igreja, Oi Futuro
  • 2008 – A História de Romeu e Julieta, direção João Batista, Oi Futuro
  • Em Espetáculos para Adultos
    Como Cenógrafa

  • 1991 – A Farsa do Advogado Pathelin, direção Marcio Augusto
  • 1994 – A Casa de Prostituição de Annaïs Nin, direção Ticiana Studart, Sotão T. João Caetano
  • 1995 – Os Biombos, direção Antonio Cadengue (Recife)
  • 1995 – Penélope, direção Antonio Guedes
  • 1996 – O Alienista, direção Antonio Cadengue (Recife)
  • 1997 – Autos Cabralinos, direção Antonio Cadengue (Recife)
  • 1998 – O Herói do Mundo Ocidental, direção José Renato
  • 1998 – A Dona da História, direção João Falcão, Teatro Leblon, Sala Fernando Montenegro
  • 1998 – A Casa de Prostituição de Annaïs Nin, dir. Ticiana Studart, Teatro Hilton (São Paulo)
  • 1998 – A Serpente, de Nelson Rodrigues, direção Antonio Guedes, Teatro Glauce Rocha
  • 1998 – A Cozinha, direção David Herman
  • 1999 – Sobrados e Mocambos, direção Antonio Cadengue, Teatro Barreto Júnior (Recife)
  • 1999 – Tartufo, de Molière, direção Walter Lima Torres, Teatro Villa Lobos, Espaço 3
  • 1999 – Cinco Brasileiros – leituras comemorativas, direção Joâo Batista
  • 2000 – Se Toca, programa para TV Band, direção Tony Nardini
  • 2000 – Henrique IV, de Pirandello, direção Antônio Guedes, Teatro Nelson Rodrigues
  • 2000 – Quase Verdade, direção Dudu Sandroni, Teatro Ziembinski
  • 2000 – As Malibrans – direção Jocy de Oliveira, Teatro Carlos Gomes
  • 2000 – Bonecos no CCBB – Fios, Luvas e Animação, evento, Rotunda do CCBB
  • 2000 – Brasileiras – Show da cantora Clarice, direção Alice Viveiros de Castro, Teatro das Artes
  • 2000 – A Mentecapta, de Mauro Rasi, direção Ivone Hoffmann, CAL, Teatro SESC Tijuca
  • 2000 – A Rússia de Tchekov, direção Bárbara Heliodora, CAL, Teatro SESC Tijuca
  • 2001 – Na Solidão dos Campos de Algodão, direção Paulo José, Teatro Sérgio Porto
  • 2001 – Churchi Blues, direção Antonio Cadengue, Teatro Hermillo (Recife)
  • 2002 – Cenas de uma Trilogia, direção Jocy de Oliveira, Festival de Porto Alegre
  • 2002 – Medeia, direção Antonio Guedes, Teatro Sérgio Porto
  • 2003 – Nunca Pensei que ia Ver esse Dia, direção Luiz Antônio Pilar, Teatro Glória
  • 2004 – Nosferatu – Um Pouco de Nós, direção Marcos Henrique Rego, Casarão Rua Bambina
  • 2004 – Charles Baudelaire, Minha Terrível Paixão, dir. Luiz Antônio Pilar, Festival Porto dos Palcos
  • 2004 – As Cadeiras, direção Massoud Saidpour, Teatro III CCBB
  • 2004 – Vestir os Nus, direção Antônio Guedes, Espaço Pequeno Gesto
  • 2005 – Os Negros, direção Luiz Antônio Pilar, Teatro I CCBB
  • 2006 – Incidentes em Antares, direção Adriano Garib, Teatro II CCBB
  • 2006 – A Bolha, direção João Batista, Casa da Gávea
  • 2006 – Os Sete Gatinhos, direção Adriano Garib, CAL, Teatro Aliança Francesa Botafogo
  • 2007 – Valsa nº 6, direção Antônio Guedes, SESC Palco Giratório
  • 2007 – Anton e Olga, direção David Herman, Caixa Cultural, Teatro de Arena
  • 2007 – Sonho ou Não, direção Eduardo Tolentino de Araújo, Oi Futuro (nov 2007)
  • 2008 – O Homem da Cabeça de Papelão, direção João Batista, Teatro Café Pequeno
  • 2008 – Yolanda, direção Ernesto Piccolo, Caixa Cultural, Teatro de Arena
  • 2008 – Eu sou o Samba, direção Fábio Pillar, Teatro Carlos Gomes
  • 2008 – Versátil, show do Nelson Sargento, direção Luiz Antonio Pilar, Canecão
  • 2008 – A Mente Capta. direção João Batista, Teatro SESI
  • 2008 – Boca de Ouro. direção Adriano Garib, Teatro Solar de Botafogo
  • 2008 – A Filha do Teatro, direção Antonio Guedes, Espaço SESC
    Como Cenógrafa e Figurinista
  • 1989 – Valsa nº 6, direção de Antonio Guedes
  • 1990 – Tambores na Noite, direção de Luís Fernando Lobo
  • 1991 – Um Céu de Asfalto, direção de Luís Fernando Lobo
  • 2000 – Momentos, Beijos de Nelson Rodrigues, dir. Nelson Rodfigues Filho, T. Nelson Rodrigues
  • Cinema
  • 1997 – Não me condenes Antes que me Expliques, dir. Cristina Leal, cenário e direção de arte
  • 1990 – Xuxa e os Trapalhões em O Mistério de Hobin Hood, dir. Marcos Flaksman (cenóg. assist.)
  • 2007 – O Mundo de Salete, direção Beto Melo, cenógrafa
  • Premiações
    Em Teatro:

    Em Cinema:
    Não me Condenes Antes que me Expliques

  • Festival de Cinema de Cuiabá, categoria Direção de Arte, 1998
  • Festival de Cinema de Vitória, categoria Direção de Arte, 1998
    Sobrados e Mocambos
  • Janeiro de Grandes espetáculos, Recife, categoria Cenografia, 1999
  • Sobre o ECUM…

    Tuesday, March 25th, 2008

    Do figurinista André Cortez, sobre o ECUM (do qual participou):

    ECUMENISMO MENTAL

    ECUMENISMO TEATRAL

    ECUMENISMO VITAL