Archive for the ‘Na midia’ Category

O figurino de Roberto Carlos e Caetano Veloso

Monday, August 25th, 2008

Por que não refletir a trajetória destes dois ídolos da música brasileira por meio dos seus figurinos? Pois é… quem não comprou o jornal O Estado de S.Paulo hoje (25/08/08), pode cantarolar conosco aqui ao ler o artigo que eu e Fausto Viana escrevemos pro Caderno de Cultura. Aproveito e complementamos aqui com imagens.

A evolução do figurino na trajetória desses dois ídolos
Os botões da blusa…. As roupas e os sonhos rasgados…

por Fausto Viana e Rosane Muniz 

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Nem “odara” e nem “uma brasa, mora?” O encontro é a chance para lançar um olhar na trajetória da dupla pelo viés da moda. A MPB abre o assunto tanto no vestuário de seus intérpretes, como nas letras das músicas.

Aos 9 anos, Roberto é levado por lady Laura para cantar na rádio, com roupas feitas por ela. Em trajes simples surge Caetano Veloso, ainda na Bahia. Vindos do interior e influenciados pela bossa-nova, chegam ao Rio de Janeiro em 1956, mas seguem caminhos diferentes: o baiano em uma atmosfera despojada de cantar e vestir, mesmo que ache Maria Joana metida a bacana porque “saiu de casa toda colorida”. O capixaba não demora a fazer sucesso como o rei do iê-iê-iê, inspirado nos Beatles, mandando tudo “para o inferno”.

O terninho masculino, tailler feminino e tons pastéis deixam de ser o vestuário exemplar dos anos 60. Com o movimento estudantil estimulando a “guerra” contra os “coroas”, Roberto, de paletó axadrezado com camisa rosa e gravata branca, lança com a Jovem Guarda a marca Calhambeque e espalha pelo público jovem do seu programa de televisão modelos de camisas, cintos, sapatos, chapéus e chaveiros. Ganha, então, o medalhão que até hoje não tira do pescoço. Apesar das críticas iniciais, Caetano se influencia pelo “roqueiro” e convida os Beat Boys para surgir “sem lenço nem documento” e se tornar um pop star. Foi o que os uniu no visual hiponga ousado e elegante que adotariam: cabelos longos, calças mais folgadas, cores berrantes.

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O movimento tropicalista “impõe uma imagem obviamente brasileira”. Depois do exílio, Caetano assume uma nova personalidade no estilo de se vestir. Em 1971, o apelo visual vem do movimento hippie inglês.

Sem medo, Araçá Azul flerta com a roupa leve, sensual, pronta para uma brisa, que, aliás, já o pegava desde os anos 60 “com nada no bolso ou nas mãos”.

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Maquiagem, brinco de pavão…

Roberto abre blusas (”os botões da blusa, que você usava”), em uma sensualidade menos explícita.

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Passam os Doces Bárbaros. No fim dos anos 70, Roberto opta pelo cabelo comprido, que não incomoda mais, e Caetano corta o seu e ousa na mudança da sensualidade brejeira de Caymmi para uma sexualidade “livre, libertadora”, rompendo paradigmas do regime militar. Roberto opta pelo lenço branco no pescoço e cravo vermelho na lapela, na sexualidade “dos amantes”.

Entre brigas e reaproximações, após terem “as roupas e os sonhos rasgados”, Caetano se torna hype nos anos 80 e 90 (hoje é básico, mas moderno), Roberto ícone do pop star romântico (fiel às correntes, pulseiras e ao cinto com fivelão). O reencontro se dá em uma grande produção, porém sem figurinista. Apesar do uso diário do jeans, ambos sobem ao palco em ternos, que alguns classificam como a armadura dos tempos modernos. No entanto, o minimalismo do show transforma os trajes em molduras para a arte de dois dos mais significativos compositores/intérpretes brasileiros, para os quais o “tempo não pára, e no entanto, ele nunca envelhece”.

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Pra quem não leu…

Friday, March 7th, 2008

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A premiação do Oscar 2008 já passou e percebo que por este blog passam mais aficionados por teatro do que cinema. Mesmo assim, a matéria escrita por Fausto Viana e Rosane Muniz (sim… sou eu mesma…)  sobre os concorrentes à categoria figurino é interessante de ficar aqui arquivada pelo paralelo que sempre traçamos com a história do cinema, mesmo nas criações teatrais. Por exemplo, a pesquisa realizada por Alexandra Byrne para a criação da indumentária do filme Elizabeth-a era de ouro, vencedor do prêmio na categoria, é uma aula na recriação de trajes da época. Para ler, é só clicar na imagem até ampliá-la.

Não deixe de ler

Saturday, February 23rd, 2008

Amanhã, no caderno Cultura do jornal O Estado de S.Paulo, uma análise sobre os figurinos concorrentes ao Oscar: Across the Universe, Piaf, Desejo e Reparação, Elizabeth-a era do ouro e Sweeney Todd. E arrisque seu palpite para a noite de premiação aqui nos comentários!

across_the_universe_2.jpgpiaf_f_005.jpgdesejoereparacao_f_005.jpgelizabeth_aeradeouro_f_0101.jpgsweeneytodd_f_004.jpg
 

Percepção da luz no Estadão

Sunday, August 12th, 2007

É bastante rara uma matéria sobre assunto tão específico como a iluminação teatral em um grande veículo de comunicação. Porém, o Caderno 2, do estadão geralmente consegue dedicar um espaço mais amplo para o teatro, não só com matérias de divulgação, mas gerando reflexão.

É o caso de quarta-feira (08/08/07), com a matéria  A sonoridade da cena paulistana, de Beth Néspoli, com quatro iluminadores (Tunica, Laércio Resende, Aline Meyer e Eduardo Agni) que puderam contar um pouco do que fazem e refletir sobre as funções e objetivos da luz em cena. Pena que as entrevistas foram individuais e não em um encontro presencial com todos os entrevistados numa “mesa-redonda” ou debate. Quem sabe o próximo assunto em destaque seja a cenografia, a indumentária ou a sonoplastia.

Sugiro que este espaço vá além na reflexão sobre os assuntos levantados na matéria.

Eu começo instigando sobre a percepção, a partir de um trecho no qual a Tunica fala sobre as diferenças entre os tipos de espectador:

“… Esse é o espectador emocional, aquele que se deixa levar. Há também o espectador intelectual, que está lendo tudo o que está acontecendo. É quase um crítico. E, às vezes, a gente consegue os dois resultados: colocamos uma música que vai provocar o estímulo emocional necessário para a cena e que tem uma história política e social que pode agregar mais uma mensagem à cena. Se o espectador souber da história vai incluí-la, senão, já vai estar se resolvendo com a percepção emocional.”

Este trecho me lembrou de Pierre Bordieu, em seu “Economia das Trocas Simbólicas”, quando diz que “esta ‘intenção’ constitui ela própria o produto das normas e das convenções sociais que concorrem para definir a fronteira sempre incerta e historicamente mutável entre os simples objetos técnicos e os objetos de arte.” Difícil perceber onde fica este limiar, não?