MAKING OF DE UM DIA COMO “BAIANA” – parte I
Saturday, February 20th, 2010Ser tão bem recebida e ter a permissão de estar entre elas foi o que mais marcou a experiência como baiana. Apesar de saberem, aos poucos, que eu era jornalista e pesquisadora, o espírito colaborativo esteve presente desde o início.
16h30 – Nos encontramos na quadra da escola para irmos juntas para a avenida. Momento de confraternização, encontro, tentativas de conseguir ingressos na arquibancada da comunidade para os familiares. Foi bem avisado para todas: “as baianas devem vir de bermuda e camiseta brancas, com o sapato dourado da fantasia (distribuído na semana anterior)”. Muitas vão com as camisetas das alas – que é vermelha na parte superior – e, muitas vezes, estas acabam aparecendo por baixo da fantasia.
Mas houve quem esqueceu e passou nervoso. Naíra, que mora distante, no bairro de Piedade, desfila há dez anos na União da Ilha, cinco destes como baiana. Mas foi de bermuda jeans e ouviu que não poderia desfilar. Rose, que tem um bar chamado Pontapé e que já colaborou em outros anos com arrecadação de verba para a escola, havia ido à quadra para tentar um convite para a avenida. Não conseguiu, mas quando viu Naíra chorando, soube porque era e não deixou a solidariedade de lado. Tirou o short branco que vestia e ficou de biquíni, voltando pra casa feliz. A alegria que um traje pode dar, no momento certo!
As fantasias de baiana sempre foram pagas (em 2009 custou R$ 50,00 cada uma), mas este ano, de volta ao Grupo Especial, o presidente decidiu que seria gratuita. Foram 120 fantasias. Muitas das baianas são as próprias costureiras que trabalharam na oficina, como a Vera Lúcia, na foto abaixo.

17h10 – Hora de se fortalecer! As baianas cuidam da cozinha e fazem o lanche. Cada uma recebe um saquinho com um copo de suco e um sanduíche de pão de forma com queijo e presunto na manteiga. Eu aproveitei, pois imaginava que aquele seria o último “forro” do meu estômago antes do desfile. E acertei! A partir daí, só muita água!!
17h35 – A escola oferece transporte gratuito para a comunidade. Neste quesito, as baianas são as mais paparicadas: três ônibus com ar condicionado para elas!
Durante o trajeto para a Sapucaí, fui conversando com a Maria (uma das muitas e queridas mulheres de mesmo nome, porém sentimentos e personalidades fortes e dispares). Mulata alegre, bem disposta, queria me mostrar tudo como era e demonstrar cada emoção, em cada detalhe. Maria já havia desfilado por três escolas de samba no dia anterior (São Clemente, Império da Tijuca e Estácio no grupo A, de acesso), desfilaria pela Ilha no domingo e sairia novamente como baiana em mais duas escolas na segunda (Vila Isabel e Porto da Pedra). Mas as baianas não desfilam pela escola do coração? “Eu gosto das escolas, mas gosto é de passar na Sapucaí.” Qual a sua escola? “A Sapucaí!” Isso explicará muito da força com que elas carregam a fantasia na avenida!
6h15 – Chegamos à Central do Brasil. O ônibus correu bastante, mas no lugar do medo, senti a proteção daquelas mulheres simples, que cruzam o mesmo trajeto tantas vezes. Como a Avenida Presidente Vargas já tinha uma das pistas fechada por grades para a concentração, foram precisos vinte minutos de caminhada, entre idas e vindas, até conseguirmos cruzar para o ponto onde estava nos esperando o caminhão com as fantasias, atrás do prédio conhecido como “Balança, mas não cai”. Tia Noêmia, a presidente da ala das baianas da União da Ilha, com 85 anos, ia firme, mas a amparei um pouco. A fragilidade de suas mãos dá a pista dos preparativos para a sonhada noite: além da maquiagem e balangandãs pendurados por sobre a roupa do Apoio, suas unhas dos pés e das mãos haviam sido pintadas mais cedo pela neta com as cores da escola (a base branca, com as cores vermelho e azul nos pontilhados).
O apoio das baianas também criou desenho especial nas unhas com as cores da escola.
Não perca neste domingo a parte II da preparação para o desfile…
Enviado por Rosane Muniz







