Archive for the ‘Espaço para Reflexão’ Category

FIGURINO NO OSCAR – CADERNO 2

Saturday, March 6th, 2010

Não conseguiu comprar o jornal ontem? Então clique na imagem abaixo para ampliar e leia a análise sobre os figurinos indicados ao Oscar. Se preferir, leia o texto corrido, logo abaixo. Agucem o olhar e bons filmes!

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Cinco figurinos nota dez

Entenda do ‘corte-e-costura’ de cada um dos concorrentes à estatueta da categoria

Fausto Viana e Rosane Muniz

 

A importância do figurino na construção de um personagem é inquestionável, sua colaboração para torná-lo crível, também. Mas engana-se quem pensa que a melhor indumentária é aquela que se destaca e, muitas vezes, torna-se tudo o que pode ser lembrado no filme. Neste caso, geralmente algo de ruim aconteceu no total da produção. A concorrente ao Oscar de melhor figurino 2010, Sandy Powell, figurinista de Jovem Vitória, lembra que um dos desejos dos bons profissionais é “fazer com que o figurino visualmente funcione com o resto do filme”. Os trajes, naturalmente, não suprem a interpretação, mas ao dar suporte aos atores, colaboram – e muito – com a história a ser contada.

 Um item que une todos os indicados ao Oscar é a intimidade aparente em cena dos personagens com a criação de seus trajes. Em Chanel, a costura é praticamente a protagonista, enquanto em Brilho de Uma Paixão é o suporte da personagem principal. Em Nine, é a confidente e homenageada figurinista, já em Dr. Parnassus revela-se no interior do camarim de um teatro itinerante e nas diversas adaptações dos figurinos. No filme A Jovem Rainha poderia estar mais presente se houvesse uma cena de Vitória escrevendo em seu diário sobre as vestes usadas na coroação, ou ainda desenhando seu vestido de casamento ou os trajes das damas de honra, como de fato o fez na vida real. Mas está lá, no vestir e despir diários e no trabalho das camareiras.

 Ao conferir os concorrentes no quesito figurino, também é possível observar um bom panorama do vestuário ao longo do tempo. A sugestão é começar com Brilho de uma Paixão, que se passa no início do século 19, mais especificamente entre 1818 e 1821, quando o poeta John Keats morre.

  

O brilho de uma paixão

 A importância da moda neste filme inglês já fica estabelecida desde os primeiros takes, com uma agulha entrando e saindo do tecido, o que remete às tramas do destino e às três irmãs que tecem, esticam e cortam o fio da vida. Pois é a morte, diretamente relacionada ao personagem principal. O grande amor deve morrer, mas como ficam idealizadas as roupas que darão vida às histórias contadas sobre eles no cinema?

 A personagem Frances Brawne, a quem Keats dedica seu poema Bright Star, é a fashionista do filme. Sabe-se que, em uma carta ao irmão, o poeta descreveu Fanny como “bonita, elegante, graciosa, estranha (…)”. No filme, ela cria seus próprios trajes, elaborando detalhes de golas e bordados e tem um quê de Coco Chanel, a quem antecede em quase um século. Inclusive, ela desafia os homens quando diz que o que faz é belo e lhe traz dinheiro, ao contrário do que a poesia lhes oferece. O que pode ser uma forma dos ingleses, subliminarmente, atiçarem a antiga rixa entre a moda inglesa e a francesa.

 O fato é que as roupas do personagem parecem deslocadas mesmo quando analisadas dentro de uma ótica histórica – são peças estranhas, muitas vezes estruturadas em moldes diferentes do comum à época. A figurinista Janet Patterson, indicada pela quarta vez ao Oscar (uma delas foi pelo filme O Piano, com direção da mesma Jane Campion), explica que usou como princípio criativo uma homenagem ao modo como jovens mulheres se comportam hoje. Fanny, na sua concepção, está experimentando peças que só poderá usar nesta fase de sua vida, com padrão próprio de estética e beleza. Até Keats a descreveu como “estranha”, mas o que muitas vezes parece é que seus trajes soam extremamente desengonçados – exceção ao vestido prateado de gola alta com que ela vai ao baile. Patterson revelou que Fanny teria se inspirado em um pavão para que o personagem se recriasse. Outra boa exceção é o vestido cor de rosa que, por ser de linho muito leve, parece se desmanchar quando ela e o amante são surpreendidos pela chuva.

 Na contramão, o jovem Keats usa roupas velhas, desgastadas e uma casaca azul, marca registrada do personagem. Ele bem dizia que seus poemas, hoje reconhecidos entre os melhores do romantismo inglês, não tinham valor nenhum. Sua roupa mostra como ele se vê. Há uma cena poética em que ele sobe em uma árvore toda florida e sua figura desgastada ganha uma dimensão espiritual.

  

A Jovem Vitória

 A inglesa Sandy Powell concorre e tem grande chance de sair vencedora também no Oscar, afinal já venceu o Prêmio da Associação de Figurinistas (CDG) na categoria de figurinos de época. Esta é sua oitava indicação, sendo que já possui duas estatuetas, entre elas está a linda criação de Shakespeare Apaixonado (1999).

 Neste trabalho, Powell deve agradar tanto aos interessados em reconstruções históricas (o filme se passa basicamente entre 1836 e 1861), como aos que adoram materiais inovadores para a composição dos figurinos. Seu maior desafio foi fazer uma quantidade enorme de trajes com um montante limitado e, mesmo assim, fazê-los parecerem suntuosos e da realeza. “Eram coisas demais para criar, pouco tempo e muito pouca verba”, declarou. Como não tinham diamantes para aplicar nas roupas, nem bordados para cobrir enormes superfícies de tecidos caros, a solução foi pintar tudo a mão, em um verdadeiro revival do trompe l’oeil que foge aos olhos do espectador comum. Não é, portanto, uma criação como as dos filmes de Lucchino Visconti, que exigia perfeição e reconstrução dos trajes nos mínimos detalhes.

 O manto de coroação, por exemplo, foi feito começando completamente do zero, iniciando pelo tecido. Foi o traje que levou mais tempo para ser finalizado. Comprou-se um tecido que tinha uma linha metálica dentro e que foi desgastado até alcançar o exato tom dourado, depois o complexo bordado do manto original foi recriado por estampagem e pintura a mão.

 Powell visitou o acervo real no Palácio de Kensington e teve a chance de ver alguns vestidos de uso diário, o manto da coroação e o vestido de casamento. Ficou impressionada com o tamanho minúsculo dos trajes de Vitória, que “pareciam roupas de criança”.

 Visualmente, a formação da futura Rainha é dividida em duas partes no filme: ainda muito jovem, antes de assumir o trono, quando é a mãe quem a dirige e impõe roupas de aspecto infantil ao seu trajar. E o momento de destaque, quando ela toma as rédeas do próprio destino e passa a se vestir de maneira elegante e sofisticada, com trabalhos de costura mais elaborados. Albert também tem seu momento de glória visual: quando consta no script que “entra tão bonito como o amanhecer”, Powell o veste sexy como os homens da época, como se estivesse cavalgando, com calças justas, botas de cano alto e um belo paletó. O resultado é impactante.

 

Coco antes de Chanel

 No mundo colorido dos trajes, quem se destaca entre os candidatos é Chanel – a personagem, não o filme – exatamente por optar pelo sóbrio e se destacar pela simplicidade das formas e conforto. É o início do século 20 e o percurso da pré-Chanel (enquanto marca mundial) apresenta uma bem pensada aventura de moda. Não é do mito Chanel que o roteiro trata, e sim da formação desse mito.

 Desde o começo do filme, ainda no colégio interno, o figurino é determinante para marcar o contraste entre a pobreza das órfãs como Chanel, com os trajes ricos e vermelhos das meninas que recebiam visitas dos pais. Mais tarde, na juventude, ela é obrigada a vestir roupas que apertam e impedem o movimento e aí começa seu incômodo. Durante o dia, trabalha e sobrevive como costureira, mas é na função extra de cantora de cabaré noturno que conhece o futuro amante, ao entoar a cançoneta que vai lhe dar o nome da fama: Quem viu Coco? O cachorrinho que não aparece, mas deixa o nome e a melodia grudados em nossa memória.

 Muito interessante é a cena em que ela vai à praia e vê os pescadores com suas blusas íntimas listradas, absolutamente confortáveis, e não hesita em criar para si roupas semelhantes na estampa. Seria uma revolução na moda! E os cortes masculinos que ela vai construindo aos poucos, a partir do armário do amante, são sensacionais. Cada peça masculina vira uma nova experiência na mão da hábil costureira Chanel, como na festa à fantasia em que ela aparece de “menino” ou quando sai à rua atrás de Boy vestindo um pijama de seda bege. Cada riscar de tecido com o giz torna-se uma poesia.

 Assim como na peça de teatro, o filme mostra a conhecida escada de espelhos do ateliê de Chanel, com modelos vestidas por suas famosas criações descendo os degraus, enquanto, sentada, uma melancólica e bem sucedida estilista ganha destaque em preto e branco.

  

Nine

 Lembra que falamos de quando se deseja que o figurino visualmente funcione com o resto do filme? Por acaso é o que acontece com o figurino de Nine: funciona perfeitamente com a direção do também coreógrafo Rob Marshall – que se inspirou em Fellini ampliando a característica musical do roteiro de 8 ½ – porém se destaca demais pelo deslumbre, como de praxe na linguagem de show biz que ele deu à película.

 8 ½ é um marco na história do cinema contemporâneo – um dos filmes que mais tentaram copiar. Nine sobe meio ponto no título para, com uma grande coleção de estrelas, tentar impressionar. Todos são brilhantes, individualmente – coletivamente não funcionam. Os trajes são bonitos, bem-feitos, adequados a cada uma das belezas que adornam o filme. Mas são espetaculosos e se restringem aos números musicais que estão intercalados na ação.

 A “jornalista” Kate Hudson aparece em um número que mais parece um clip da MTV, vestida com cristais Swarowski, em um traje de cinco quilos, muito parecido com o usado por sua mãe Goldie Hawn no início de carreira. Ela descreve o filme em duas palavras: “um show!” A estonteante Penelope Cruz vestiu corseletes feitos à mão com rendas antigas e um conjunto feito com tecidos vintage e uma estola de peles feita por Dennis Basso. Nicole Kidman, que deveria ser a musa inspiradora do cineasta, surge com um vestido de tafetá de seda com casaco de peles, também de Basso. Para viver a prostituta Saraghina, corseletes apertados e uma bota que a cantora do Black Eyed Peas relatou desta forma: “Um cara mediu cada polegada da minha bunda e fez botas especiais para eu dançar. Na verdade, me fez repensar nos sapatos que uso quando estou em turnê”. Marion Cotillard dá um show de atuação e seu figurino no musical Take it All (concorrente ao Oscar de trilha sonora) revela sua transformação. Ela ajudou a criar os trajes da esposa do cineasta, uma mistura de peças vintage e customizadas, que deram a ela uma elegância típica do anos 1950 e 60. A homenagem ao papel da figurinista, representada por Judy Dench, é um grande presente à classe.

 Colleen Atwood já fez inúmeros filmes, peças e, com o diretor de Nine, Rob Marshall (que, inclusive, acaba de ganhar um prêmio especial da Associação de Figurinistas como colaborador), ganhou dois Oscars: Chicago (2003) e Memórias de uma Gueixa (2006). Seu esplendoroso trabalho em Sweeney Todd concorreu ao Oscar em 2008, mas perdeu para Elizabeth – a era de ouro.

 Como Nine é o favorito para o prêmio segundo os analistas da moda, a figurinista tem chance de vencer, mas sua terceira estatueta pode vir só no Oscar 2011 com o filme Alice no País das Maravilhas, que já chama a atenção para os quesitos direção de arte e figurino. No Moma de Nova Iorque, a exposição com o trabalho de Tim Burton vai até 26 de abril (http://www.moma.org/interactives/exhibitions/2009/timburton/). Já a mostra com o acervo de 40 objetos do filme – que é dividida em quatro alas e conta até com animadores caracterizados – viaja por vários países promovendo o filme.  

O Imaginarium do Dr. Parnassus

 Quem nunca havia sido indicada ao Oscar e desta vez conseguiu entrar na lista foi Monique Prudhomme, com o filme que também concorre na direção de arte. 

 A figurinista disse que os trajes mais desafiadores foram os usados pelos atores quando estão representando no palco, inspirado em teatros barrocos dos séculos 16 e 18, assim como os figurinos. Suas outras criações estão divididas entre o mundo real (de uma Londres contemporânea, mas ao mesmo tempo de um período indeterminado) e o imaginário (da alucinação).

 O conceito de partida foi dado pelo diretor: Dr. Parnassus é imortal. Desta forma, ela criou os trajes como se eles fossem sendo retirados de caixas antigas, de coisas que ele foi acumulando ao longo de séculos, dos diversos países pelos quais viajou. Mas como ele é muito pobre, está sempre fora da moda, na Londres atual. Assim, Prudhomme misturou países e estilos, mas acima de tudo, muitos materiais, tecidos e texturas riquíssimas em detalhes, brocados, muitas camadas… e processo de desgaste e envelhecimento. O Dr. Parnassus, por exemplo, tem quimonos japoneses, detalhes de peças indianas, calças chinesas, refletindo uma riqueza folclórica cultural que os trajes do ocidente, segundo ela, não têm.

 Trabalhando com o que ela chama de “composição”, o processo da figurinista foi parecido com o do teatro, juntando diversas peças antigas e novas, executando trajes apenas quando necessário. As roupas usadas pelo personagem Tony foram todas desenhadas para ele e feitas por Verne Troyer, inclusive o terno branco. O vestido do “imaginário” branco de ninfa dançarina, usado por Lily do outro lado do espelho, também foi criado para ela.

Enviado por Rosane Muniz

FIGURINO NO OSCAR

Friday, March 5th, 2010

INDICADOS AO OSCAR 2010

Domingo tem Oscar e prêmios de melhor figurino, direção de arte, maquiagem, entre outros. Leia no Caderno 2, do jornal O Estado de S.Paulo, de hoje (05 de março), uma análise minha e do Fausto Viana sobre os indicados ao prêmios de melhor figurino. Abaixo, um pouco mais de reflexão nossa e complemento ao nosso texto no jornal.

Na corrida, temos Brilho de uma Paixão que também foi indicado ao BAFTA, mas perdeu para A Jovem Vitória, outro figurino de época, realizado pela figurinista Sandy Powell, especialista em trajes históricos.

Para ela, a opção por outros materiais não soa tão difícil como seria para quem não entende de formas, das finalidades de um traje e de sua inserção em períodos históricos. Segundo a figurinista, as roupas têm uma força dentro da trama graças à experiência prévia dos atores em usar figurinos clássicos, que exigem postura corporal e adequação dos padrões interpretativos. O cuidado com a roupa íntima é notável, bem com o acabamento dos vestidos, a maioria de seda. Vencedora do BAFTA, no seu discurso dedicou o prêmio à memória da “insubstituível” Annie Hadley, responsável pelo corte da maioria dos figurinos de seus filmes e que teve em A Jovem Vitória seu último trabalho. Não se trata de uma bolsa de apostas, mas se há poucas fichas para jogar, melhor fazê-lo aqui.

Também concorre Coco Antes de Chanel, com trabalho da figurinista Catherine Leterrier, que já trabalhou em muitas reconstruções de época (tb!) e ganhou dois Césares. Com mais de 35 anos de carreira, diz-se que não se importou de ter o diretor criativo da Maison Chanel, Karl Lagerfeld, supervisionando suas criações. Apesar de o grande ganhador do prêmio francês ter sido O Profeta, desta vez Leterrier perdeu o César para outro filme sobre Chanel: Coco Chanel & Igor Stravinsky, com figurinos de Chattoune & Fab, que se passa pouco depois de Coco Antes de Chanel, em 1913. O filme não deve ser o vencedor do Oscar, mas, como processo criativo da estilista, é imperdível.

Nine é o favorito para o prêmio segundo os analistas da moda. A figurinista tem chance de vencer, mas pode ser que tenha que esperar até 2011 com os figurinos de Alice no País das Maravilhas, que estreia em breve nos cinemas brasileiros e já chama a atenção. No Moma de Nova Iorque, a exposição com o trabalho de Tim Burton vai até 26 de abril. Há também uma mostra com o acervo de 40 objetos do filme - dividida em quatro alas e com animadores caracterizados – excursionando por vários países (veja fotos e comentários em inglês da exposição aqui neste blog)

O Imaginário do Dr. Parnassus, que esteve em cartaz em São Paulo na Mostra de Cinema, ano passado, indicou, pela primeira vez, Monique Prudhomme, com o filme que também concorre na direção de arte. Desbancou Sherlock Holmes – ambos ambientados em uma Londres de época, com coletes, altos colarinhos, muita fumaça e carruagens puxadas a cavalo – e, não só entrou na corrida do Oscar como ganhou o Prêmio da Associação de Figurinistas (CDG) na categoria de figurinos para filmes de fantasia (derrotando Avatar, que concorria na mesma categoria), e o prêmio da imprensa (vencendo de Chèri, Nine, A jovem Victoria e Chi Bi).

 

Algumas ausências

Quem apostou em Anna Sheppard, errou! Ela já concorreu  por A Lista de Schindler (1994) e O Pianista (2003) e agora estava cotada para concorrer com Bastardos Inglórios. Estava na lista do prêmio dos críticos, mas perdeu para Sandy Powell. Também se esperava poder ver Consolata Boyle pelos belos chapéus e trajes de Michelle Pfeiffer em seu retorno de Chéri, dirigida por Stephen Frears. Poderíamos ter visto Jenny Beavan com o já comentado Sherlock Holmes, que concorre na direção de arte. Houve até quem apostasse na indicação de Avatar, que apesar de ser criado em processo parecido, sua execução ainda levantará muita discussão entre o físico e o animado, entre as variações de movimentos, escalas e detalhes. Mas há uma grande ausência nos indicados a melhor figurino do Oscar 2010: Preciosa.

O filme tem um figurino que se pode dizer preciso, que atua pontualmente a cada cena. Não bastasse o retrato frio, nu e cru que traça do Harlem norte-americano dos anos 1980, o figurino ainda é a estrela dos grandes devaneios da mente da protagonista. Gigante para os padrões da moda e da beleza atuais, Preciosa sonha em ser estrela de filmes e programas dirigidos ao público negro e ter um namorado de pele clara.

Marina Draghici é a figurinista do filme que deu glamour às sequências de sonho de Preciosa, com vestidos vermelhos sensuais, vestido de bolinhas, capas, luvas, enfim, todos os elementos pertencentes ao mundo das celebridades magras. Um trabalho espetacular que concorreu ao CDG na categoria filme contemporâneo, mas perdeu para Crazy Heart.

Se sobrou glamour de estrelas em Nine, neste filme tem Lenny Kravitz e Mariah Carey. Porém, todos com trajes incrivelmente discretos. E isso é o que faz com que as cenas sejam boas. Porque a arte do figurino não sobrevive sozinha. Ela depende da equipe técnica, mas, sobretudo, do bom uso feito por bons atores.

 

Face a face com as medidas de sua atriz ou ator preferido

Acontece em Los Angeles a 18ª exposição anual com os melhores figurinos do cinema, uma oportunidade para ver de perto mais de 100 trajes, com manequins autênticos à proporção dos atores que os vestiram. São cerca de doze filmes e dos indicados ao Oscar de melhor figurino só não faz parte da exposição os trajes de Chanel, propriedade da Maison Chanel, que não os liberou. O vencedor do Oscar 2008 na categoria, A Duquesa, também está na mostra, além de Julie & Julia, Star Trek e o mais concorrido – necessitando até de segurança extra: o já épico Titanic.

Hollywood 2010: The Art of Motion Picture Costume Design

Galeria do Fashion Institute of Design & Merchandising

FIDM

919 S. Grand Avenue – Los Angeles – CA – 90015

Terça a Sábado, das 10h às 16h.

Até 17/04. Entrada gratuita

 

Enviado por Rosane Muniz

O NEGATIVO DO TRAJE

Friday, March 5th, 2010

AFP

Eis um exemplo de como a função de um traje pode ser negativa!

Notícia divulgada pela agência AFP e publicada no UOL Notícias, mostra que uma estátua de neve da “Vênus de Milo”, construída por uma família no quintal de casa, em New Jersey, teve que ser “vestida” por obrigação da polícia, depois da denúncia feita por um vizinho anônimo.

“Elisa González, mãe de 44 anos residente na localidade de Rahway, relatou que construiu junto com os filhos de 12 e 21 anos a cópia da famosa estátua grega sem braços.”

Dá pra imaginar como essa escultura viveu desnuda por tantos anos, desde 130 a.C? Precisamos urgente convocar o espirito de Alexandros de Antióquia para recuperar essa tragédia! oras… oras…

ENCONTRO DE PESQUISADORES (SP)

Thursday, March 4th, 2010

COLOQUIO-DE-MODA-6

 

  

Estão abertas até o dia 30 de abril as inscrições para o 6º Colóquio de Moda.

 

Apesar de trabalhos e estudos sobre figurinos terem sido apresentados nas outras edições, ano passado foi a primeira vez que o tema teve um espaço específico para ser levado à reflexão.Esta é uma ótima chance de ampliar ainda mais a área de pesquisa acadêmica da indumentária! Inscrevam-se. É possível também participar como ouvinte.

Nesta edição, a boa notícia é que os grupos de trabalho Traje de Cena e Figurino e Design de Aparência de Atores fundiram-se no GT Traje de Cena e agora será possível presenciar todas as apresentações de trabalhos da área, que foram doze no total, em 2009.

Este GT possui a coordenação de Prof. Dr. Fausto Viana (USP), Profª Dra. Maria Cristina Volpi (UFRJ) e Prof. Dra. Maria Alice Ximenes (UAM), além de contar com a debatedora Profª Dra. Adriana Vaz Ramos (pesquisadora PUC/SP).

O evento acontecerá de 12 a 15 de setembro, em São Paulo, na Escola de Artes, Arquitetura, Design e Moda da Universidade Anhembi Morumbi. Todas as informações estão no site http://www.coloquiodemoda.com.br/

FANTASIA É FIGURINO?

Tuesday, February 16th, 2010

FAUSTOsabrina1

Ah,meu deus, qual será o “conflito”da Sabrina Sato????

Tudo bem que é carnaval, mas vamos aproveitar a chance para pensar um pouco em um tema recorrente- fantasia é figurino?

Ora, vejam só. Muita gente já se incomodou com a seguinte pergunta: “E aí, as fantasias da sua peça de teatro estão prontas?” Grrrrrrr, explosões de ódio se seguem por parte do figurinista. A resposta normalmente vem no seguinte formato: “Não, porque eu não faço fantasias. Eu faço figurinos, trajes cênicos, indumentária teatral, qualquer coisa menos fantasia”!

Fantasia normalmente é um traje que já vem, por pré-definição, estabelecido e com um formato mais ou menos conhecido. Fantasia de pirata, de baiana, de melindrosa, de caveira (que eu acho ótima), de bailarina de dança do ventre e por aí vai. São normalmente tecidos leves, bem coloridos e baratos, claro, porque é um traje que vai ser usado algumas vezes e cujo destino é a lata do lixo, a doação ou a reciclagem.

Ou você conhece alguém que sai há trinta anos como pirata ou marinheiro? Afaste-se já dela, que esta pessoa tem um lapso criativo permanente!

A palavra fantasia fica então associada a uma coisa passageira, leviana, sem muita significância porque faz parte da maior festa profana do mundo.

Agora, só para soar acadêmico no Reinado de Momo, o problema principal é a falta do conflito dramático, não é? No meio da farra, ninguém quer saber de interpretar nada, estabelecer catarse ou algo que o valha. É folia e pronto, tudo deveria acabar na quarta-feira. Deveria , mas que vai até o domingo, vai

Mas para ser advogado do diabo do meu próprio post, que tal as roupas dos nobres dos antigos carnavais de Veneza, luxos dourados e tecidos riquíssimos? Lamento, mas é a mesma coisa com uma renda per capita mais elevada. 

Ah, mas e as roupas do Orfeu da Conceição, que já foi filme e peça de teatro? Aí sim a gente sai da folia e volta para o traje teatral, que se vale de uma fantasia carnavalesca em determinados momentos para refletir a tragédia de Orfeu. Mas aí já tem conflito dramático até debaixo d’água.

Agora, se o Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no Carnaval, ele deveria pagar royalties ao teatro e se tocar que as roupas deles no meio do salão não têm nada a ver com os dois personagens da commedia dell’arte.

A solução é buscar consolo com alguma enfermeira. Talvez do funk?

FAUSTO-ARLEQUIM

Um Arlequim negro no carnaval de Curaçao.

FAUSTO-ARLEQUIM-2

O Arlequim da companhia do Giorgio Strehler, em cena.

Enviado por Fausto Viana