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ALUNOS ENTREVISTAM FIGURINISTAS

Wednesday, October 28th, 2009

O Professor Fausto Viana propôs aos seus alunos de graduação do curso de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, na disciplina História da Cenografia e Indumentária II, que eles investigassem o processo criativo e de trabalho de figurinistas com espetáculos em cartaz na cidade de São Paulo.

Em seguida veio a proposta para que pudessem publicar o resultado de seus trabalhos aqui, no vestindoacena.com. Aceitamos de pronto, afinal é uma ótima oportunidade para entendermos um pouco mais sobre diferentes modos de trabalho na criação da indumentária teatral.

O primeiro resultado é a entrevista da aluna Mon Liu com a figurinista Telumi Helen e a produtora executiva Cristiani Zonzini sobre o espetáculo O Papa e a Bruxa, dos Parlapatões.

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* Para ver mais fotos e um trecho do espetáculo em vídeo, acesse o blog do grupo Parlapatões. Esta entrevista também se baseou na entrevista concedida por Telumi Helen ao grupo, no blog citado.

Mon Liu - Qual a sua formação?

Telumi Helen – Educação Artística, mas sempre fui voraz e fazia muitos cursos paralelos: artesanato, cinema de animação (teatro de bonecos), pintura, texturas, decoração de festas etc. Fiz também Lato Sensu em “Psicologia da Arte” que possui muita importância para a minha vida profissional. Iniciei na área por uma sincronicidade: fui atrás de um workshop de cenografia na Oficina Oswald de Andrade (era com o Rossi) e as vagas estavam preenchidas. Quando buscamos o nosso caminho, as portas se abrem: encontrei um amigo que estava fazendo dramaturgia no CPT e me levou lá, para ser entrevistada para cenografia, onde conheci o Serroni e o Antunes. Experimentava a arte de todas as formas e fui aprendiz, que é diferente de aluna. Onde me senti em casa: A Cenografia e os Figurinos eram do meu universo.

Mon Liu – Como aconteceu o seu envolvimento com o teatro em geral e com o espetáculo?

Telumi Helen – Foi por meio da formação e ensino do Serroni e do Antunes, que transmitem com tanta paixão a beleza, a força do pensamento, a interpretação, a expressão humana desta Arte (Teatro) que me permiti seguir por este caminho. Já possuo um trajeto nesta área, onde trabalho para o Espaço Cenográfico (com J. C. Serroni), em parcerias com outros cenógrafos e também individualmente, como para O Circo Roda Brasil (fundado em 2006), que é composto pela união dos grupos teatrais Parlapatões e Pia Fraus.

Mon Liu – Qual foi o processo de criação?

Telumi Helen – No meu processo de criação trabalho muito com croquis, traços, texturas e cores. Tento representar ao máximo a atmosfera da peça. Por exemplo, um ar leve pode ser obtido por veladura de uma aquarela e para situações mais dramáticas ou densas, posso usar pastel oleoso, etc. Esta forma de explanação faz parte de uma apresentação onde consigo transmitir para o diretor um pouco do universo que está sendo elaborado, onde já estão contidos símbolos e signos da linguagem do projeto.

No caso de O Papa e a Bruxa, pude participar de três leituras. A partir daí, comecei a elaboração dos figurinos e a desenhar. Por um curto prazo de tempo, a linguagem que foi proposta no segundo ou terceiro desenho já caminhou com entendimento em comum com a direção do Hugo Possolo e foi onde prossegui desenvolvendo o restante. (obs: o texto e a leitura já com estudos de interpretação me envolveram demais neste processo), por isso a fluidez.

Mon Liu – Como foi a participação da direção e atores na concepção do espetáculo?

Telumi Helen – Como grupo heterogêneo, diverso e humorado, a direção e os atores participam dando sugestões para a concepção e execução do espetáculo.

Mon Liu – Quais são as referências para o seu trabalho?

Telumi Helen – Quando ando pelas ruas percebo nas pessoas se um indivíduo é mais romântico, mais agressivo etc. E vejo outros sinais que não estão apenas nas vestes, mas no comportamento, na postura, na forma da configuração física e em tudo mais onde busco essa inspiração, observando o cotidiano (vivência) e pesquisando na psicologia, na história do homem, na história da arte, na filosofia, na antropologia etc.

Como é um tema que fala do Vaticano: sua austeridade, nobreza, rigor, firmeza e ao mesmo tempo de vícios, o modo de pensar foi que a temática não poderia vincular a nenhum tipo de preconceito de religião, de crenças e até mesmo de estilo.

Então, o próprio figurino do Vaticano é atemporal, o que nos permitiu fazer brincadeiras, como por exemplo, usar tênis junto aos hábitos. Buscando nas pesquisas, deparei com um site que trazia calendário dos padres sensuais do Vaticano, acredite se quiser. Hoje podemos encontrar batina pink para padres. Nesse levantamento, fiz também um levantamento da época medieval e a evolução até os dias de hoje.

O figurino desse espetáculo tenta transmitir isso, o hábito preto com colarinho branco, da época do renascimento, mas com um zíper, um pouco do nosso período. Na verdade, uma proposta que era pra facilitar na mudança de troca de figurinos virou um conceito: utilizando o zíper, o tênis, criando referências contemporâneas. Onde formou uma linguagem mais Pop Art.

Mon Liu – Como foi a execução do projeto?

Telumi Helen – O “storyboard” foi um orientador para estudos tipológicos, configurações, personalizações da indumentária de cada personagem, da expressão, movimentação cênica de cada ator com suas peculariedades.

A primeira prova: vem sempre acompanhado de ajustes, afinações para os ensaios iniciais com o figurino.

Foram de 38 a 50 figurinos. Mesmo com a gente brincando bastante e utilizando recursos contemporâneos, o realismo é imprescindível para esse espetáculo, pois o rigor do Vaticano com as vestimentas e objetos tem que ser levado a sério para este projeto. Usei uma réplica do tênis Nike dourado para a figura do Papa, todos possuem uma cruz diferente, detalhes únicos nos hábitos, tênis personalizados. A única coisa em comum é o zíper na frente, como símbolo do desnudamento para o humano.

Na parte técnica dos figurinos houve muitos detalhamentos para facilitação da agilidade e rapidez nas trocas das roupas, até mesmo nas brincadeiras mais ousadas do figurino, tem que ter uma leveza e praticidade ao mesmo tempo. Por exemplo, adereços de cabeça que os atores jogam pra cima, a peruca voando em cena e na hora que volta pra cabeça tem que estar ajeitada.

Mon Liu – Quem executou e o que foi alterado da concepção inicial?

Telumi Helen – Os adereços foram feitos, na sua maioria, pelos alunos /estagiários do curso de Cenografia do Espaço Cenográfico, com a coordenação da Marina Figueiredo. Existe um período de ajustes dos mecanismos dos adereços de acordo com o tempo cênico. Isso é um desafio muito grande para nós. Por Ex: a armadura e o capacete dão a impressão de serem de metal, mas são de papelão forrado (muito trabalhado artesanalmente) e este é um dos poucos exemplos da magia do figurino de teatro…

O prazo era muito curto e dividi com costureiras especialistas… A Judite, com sua especialização, corta direto no tecido, não precisa de moldes. Podemos dizer que a execução foi de 10 a 15 dias de acompanhamento e mais 10 dias de afinação, resultando em 25 dias no total. Os ajustes são necessários e importantes, para o bom resultado dos figurinos.

Mon Liu – Outros dados que você considera importantes?

Telumi Helen – Conversar, trocar percepções, experiências e vivências com o diretor e os atores, estudar comportamentos mental e físico, pesquisar psicologia, filosofia, história, sociologia, as necessidades que o projeto solicita, experimentar vários tipos de materiais adequados ao ser humano, múltiplas formas do vestir etc.

Parlapatões – E desse processo todo, quando seu trabalho termina de fato?

Telumi Helen – Para o projeto só na estréia. E ainda assim pode surgir uma coisinha ou outra. O refinamento e aprimoramento acontecem bem perto da estreia. Questiono e luto para o aprimoramento de pelo menos dez dias, foi o que conquistamos pelo menos no momento em que estamos vivenciando. Vou testando durante os ensaios, onde sinto as transformações necessárias para os ajustes, percebendo como todos esses figurinos e adereços estão  comportando,funcionando, movimentando no corpo do ator e cenicamente, a praticidade etc.

Parlapatões – A organização de todos os figurinos, com nome e numa ordem de sequência das cenas, também faz parte do seu trabalho?

Telumi Helen – Como o processo foi muito rápido pra todos, para facilitação da assimilação dos figurinos apresentei os desenhos com as cenas onde cada ator já se identificava, por isso a primeira organização foi apresentada da mesma forma nas araras e posteriormente cada um criou sua própria organização com carinho e arrumação. A organização de figurinos e adereços é também necessária para uma boa fluidez da apresentação. Foi um projeto criado com muita satisfação.

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ENTREVISTA COM CRISTIANI ZONZINI (produção executiva)

Mon Liu – Qual a sua formação?

Cristiani Zonzini – Fiz dois anos de Economia. Depois larguei tudo e me formei em Artes Cênicas.

Mon Liu – Como aconteceu o seu envolvimento com o espetáculo?

Cristiani Zonzini – Trabalho com os Parlapatões há seis anos. Este espetáculo foi a realização de mais um projeto com o grupo. 

Mon Liu – Qual foi o processo de criação?

Cristiani Zonzini – O processo de criação do grupo é sempre feito em conjunto, mas com a coordenação do Hugo Possolo. Pensamos no cenário, figurinos, adereços, todos juntos, sempre em reunião e todos dão opiniões, o elenco inclusive pode sugerir ideias.

Mon Liu – Como foi a participação da direção e dos atores na concepção do espetáculo?

Cristiani Zonzini – O trabalho de grupo é diferenciado de uma produção comercial. Todos se envolvem muito por que este não é o primeiro espetáculo em que trabalham juntos. Temos um repertório de espetáculos formado praticamente pelo mesmo elenco. Então, a participação do elenco e da direção na concepção do espetáculo faz parte do trabalho de concepção geral.

Mon Liu – Quais as referências?

Cristiani Zonzini – Nossas referências são sempre a partir da comédia e do circo. E neste trabalho especificamente, buscamos entender a forma de trabalho do autor, Dario Fo, pra entender melhor também o texto.

Mon Liu – Como foi a execução do projeto?

Cristiani Zonzini – Primeiro temos as ideias. Depois desenhos e a maquete do cenário, que é importantíssima pra que a equipe de criação desenvolva o projeto e para que a equipe de produção possa entender melhor o resultado desejado.

Mon Liu – Quem executou e o que foi alterado da concepção inicial?

Cristiani Zonzini – Pouca coisa foi alterada da concepção inicial, porque o projeto foi bem planejado e seguiu a risca o orçamento. Quem executou os figurinos foi a Telumi e ela teve bastante autonomia na realização das ideias. Os cenários foram feitos por nossos cenotécnicos que trabalharam dentro do teatro, o que permitiu uma verificação contínua do processo de trabalho deles. E vários adereços e demais peças do cenário foram compradas prontas. Isso envolveu pesquisa de materiais em vários locais, inclusive em feiras de antiguidades para comprar peças que compõem o Vaticano, por exemplo.

 

Observação de Rosane Muniz – * Para saber mais sobre o trabalho de Telumi Helen e sua trajetória de trabalho, leia o capítulo O figurino e os figurinistas – J. C. Serroni e Telumi Helen – p. 203-231, do meu livro Vestindo os nus – o figurino em cena (Ed. Senac, 2004).

TRABALHOS BRASILEIROS EM SEUL VI

Wednesday, October 7th, 2009

Por conta da viagem ao Colóquio de Moda (que aconteceu no Recife na semana passada e no qual tivemos pela primeira vez Grupos de Trabalho específicos para reflexões sobre figurino), interrompemos a postagem das breves entrevistas, realizadas por e-mail, com os profissionais participantes do World Stage Design, que aconteceu no mês de setembro, em Seul.

Mais a frente, escreveremos sobre o Colóquio. Agora fiquem com o papo com o figurinista e cenógrafo Ronald Teixeira:

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Ronald Teixeira – cenografia – O Apocalipse Segundo Domingos de Oliveira – Casa de Cultura Laura Alvin – Rio de Janeiro (RJ) – 2008

Você foi curador da Mostra Nacional na última Quadrienal de Praga. O que significa agora expor em um evento internacional como o WSD?

Vibrei quando soube que havia sido selecionado, assim como outros cenógrafos brasileiros, para a Gallery Exhibition da World Stage Design 2009 – pois a participação do Brasil neste evento, nesta edição,  foi mais expressiva, com um maior número de participantes. Significa ter sido avaliado sobre uma perspecrtiva estética que alcança uma genuinidade com sua obra e com seu percurso de criação; seleção ocorrida entre um vasto número de inscritos pois tratou-se de observar individualmente cada participante e, não o conjunto que reúne as obras dos cenógrafos de um país como na Quadrienal de Praga.

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 Qual o critério que você usou na escolha do trabalho inscrito, ou seja, qual o diferencial entre seus outros projetos?

Exatamente minhas últimas criações cenográficas que refletem inquietude e investigação e que alcançam grande diálogo com a estética dos figurinos (assinado conjuntamente com o cenógrafo Leobruno Gama) e com o desenho de iluminação  do Cadú Fávero, outro grande parceiro. Vale destacar que, neste espetáculo O Apocalipse segundo Domingos Oliveira, comemoro 15 anos de criação de cenários e figurinos para a obra do próprio Domingos, no cinema e no teatro. Parceria vivida intensamente dentro do estado das delícias promovido pelo diretor o que torna a obra bastante particular. Neste trabalho, Domingos Oliveira apresenta Deus em conflito, com questionamentos nada divinos, reunindo acidez e filosofia numa obra única no teatro brasileiro e, que obteve grande sucesso no RJ.

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Você enviou algum material bidimensional ou tridimensional para a exposição ou serão exibidas imagens virtuais? Quais?

Enviei somente material virtual pois esta me pareceu ter sido a escolha da maioria dos participantes, o que me traz uma forte curiosidade para com o desenho da exposição que será instituído pela curadoria na Korea.

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Tentaremos buscar imagens de como montaram a exposição para colocar aqui no blog.

TRABALHOS BRASILEIROS EM SEUL V

Friday, September 25th, 2009

Como já foi divulgado aqui no blog, o iluminador Beto Bruel ganhou a medalha de ouro na categoria iluminação, lá no WSD, em Seul. Abaixo publico a matéria que saiu hoje no jornal O Estado de S. Paulo falando sobre essa conquista (cliquem na imagem para viabilizar a leitura na versão ampliada) e, em seguida, a íntegra da conversa que tivemos. Curtam o papo…

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Você já era um artista muito premiado em Curitiba antes de receber seu primeiro Shell em 2001 por Memória das Águas (Beto Bruel tem dezessete Gralhas e sete Poty Lazzaroto). Desde então, já foram muitos outros prêmios. O WSD 2009 é o seu primeiro prêmio internacional?

Fui indicado cinco vezes ao Shell e ganhei três (Memória das Águas, Av. Dropsie e Não Sobre o Amor). Fui também indicado ao Prêmio Carlos Gomes, de ópera, pela iluminação do O Castelo do Barba Azul, no qual a Daniela Thomas ganhou o prêmio pelo cenário. O WSD é meu primeiro prêmio internacional. 

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Na revista Luz & Cena de maio de 2008, você disse que o fato de ganhar um prêmio dificilmente faz com que o profissional ganhe um contrato melhor, o que significa para a iluminação brasileira este prêmio?

É muito bom ganhar o prêmio, mas acho que o destaque maior significa em termos de Brasil. Principalmente agora que a ABrIC foi efetivada como centro nacional, o reconhecimento é importante para mostrar ainda mais lá fora o que fazemos aqui, no Brasil. Ter visto em Praga o teatro feito na Turquia e em outros países durante a Quadrienal de 2007 foi um conhecimento profissional muito bom para mim. É bastante interessante que as pessoas vejam o que o Brasil faz e que saibam que aqui também tem bons iluminadores.

Quando você comprou o bar Café do Teatro, em 1997, você decidiu criar um prêmio novo pra que as pessoas pudessem conversar mais sobre teatro. Como foi isso?

Esse é o Poty Lazzaroto. Algumas pessoas reclamavam do Gralha Azul e aí inventamos um prêmio bem democrático. A urna ficava disponível no Café do Teatro e quem tivesse o DRT podia votar. Ela era lacrada por atores e técnicos que estavam no café e, no dia da apuração, vinham convidados para ajudar. Fazíamos a contagem de forma aberta ao público e tudo podia ser conferido pelo pessoal presente, pois os votos ficavam disponíveis para checagem.

Qual o critério que você usou para a escolha de Não sobre o Amor?

Se pegarmos peças que fiz com o Felipe Hirsh, não temos nada tão complicado no que se refere à iluminação. Mas neste espetáculo, não devia ter nada frontal. Usei só uma barrinha de LED fininha na boca de cena. Uma coisa que ajudou muito em Não Sobre o Amor  foi que o cenário chegou a Curitiba antes do ensaio começar. Tive quase trinta dias pra experimentar. Geralmente não se tem muito tempo para evoluir e amadurecer a ideia, mas como o Felipe demorou para achar o caminho para esta direção, eu pude ir ganhando tempo na luz. Quando ele achou, eu já tinha experimentado muitas coisas.O importante é poder trabalhar no teatro em equipe.

O lema da gente é que todos são obrigados a falar tudo o que pensam. Daí a aceitar ou não, cada um tem liberdade. Por exemplo, quando vi o cenário, comentei com o Felipe que ele tinha que poder girar. Dias depois ele apareceu e falou que o cenário não iria girar, mas quase. Desmontamos a caixa cênica e a montamos em posições diferentes, filmando a atriz entrando pela porta, deitando na cama etc. No espetáculo, as imagens filmadas são projetadas criando sobreposições e uma linguagem visual que ficou muito interessante. Já no espetáculo da Fernanda Montenegro, Viver sem Tempos Mortos, a ideia da luz dentro do tubo veio por sugestão da Daniela. A luz é muito simples, mas complicada. Todo grupo deveria ter uma equipe sem medo de falar.

TRABALHOS BRASILEIROS EM SEUL IV

Wednesday, September 23rd, 2009

Isabelle Bittencourt – diretora de arte / cenógrafa

Acústico MTV Engenheiros do Hawaii

Marjorie Estiano e Banda ao Vivo

Kid Abelha PEGA VIDA  ao Vivo

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Kid Abelha PEGA VIDA  ao Vivo - Foto: Tahira


O que significa expor em um evento internacional como o WSD?

Fiquei surpresa por ter entrado na mostra Gallery, pois sei que a concorrência é enorme. Estamos competindo com cenógrafos europeus, americanos asiáticos, que além da excelente formação (estudam em escolas maravilhosas),têm sempre cachês bem pagos e contam com mais recursos estruturais e financeiros pra realização de seus projetos. Isto significa que o trabalho dos brasileiros além de criativo é muito bom, pois muitas vezes temos que tirar leite de pedra e mesmo assim e o resultado fica bom.

 

 

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Acústico MTV Engenheiros do Hawaii - Foto: Marcos Camargo

Qual o critério que você usou na escolha dos trabalhos inscritos, ou seja, qual o diferencial entre seus outros projetos e por que você decidiu inscrever três shows?

Na verdade, se a inscrição não fosse tão cara eu teria inscrito outros trabalhos. Mas inscrevi só estes três porque, além de gostar muito deles, foram superelogiados na época em que os shows rolaram e os dvds foram lançados. O catálogo do WSD2005 me fez ver que o nível das produções era altíssimo,tinha óperas européias, altos musicais, Chicago… então, pensei: se eu tiver alguma chance de entrar na competição será com um desses!

 

 

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Marjorie Estiano e Banda ao Vivo - Foto: Washington Possato

Você enviou algum material bidimensional ou tridimensional para a exposição ou serão exibidas imagens virtuais? Quais?

Como eu não tinha maquete desses trabalhos e nem dava tempo de produzi-las,enviei cinco pranchas tamanho A1 com os projetos, desenhos e fotos, mas foi um gasto absurdo pra mandar o material e principalmente pra pagar a liberação alfandegária na Coréia. Isto sem nenhuma ajuda de custo. Espero que valha a pena!

TRABALHOS BRASILEIROS EM SEUL III

Tuesday, September 22nd, 2009

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José Henrique Moreira- iluminação – O Processo, de Franz Kafka

Teatro Maison de France – Rio de Janeiro (RJ) – 2008

O que significa expor em um evento internacional como o WSD?

Significa, em primeiro lugar, ter o trabalho reconhecido fora do Brasil, que hoje tem seus “critérios de qualidade” determinados por uma aliança perniciosa entre produtores, críticos e as comissões de patrocínios e prêmios. Na WSD, cada artista se inscreve com independência e sem necessidade de “chancela” de quem quer que seja, então ter sido selecionado por um júri internacional é um mérito inquestionável. Além disso, e de não menos importância, é a oportunidade de intercâmbio que só ocorre nos eventos presenciais, onde a observação das obras de todo o mundo se soma a troca pessoal de experiências entre os expositores.

Qual o critério que você usou na escolha dos trabalhos inscritos, ou seja, qual o diferencial entre seus outros projetos?

Dos últimos trabalhos de iluminação que realizei, sempre para espetáculos também sob minha direção, “A Pane” e “O Processo” foram os que tiveram carreiras mais longas e maior itinerância por diferentes cidades e casas de espetáculos. Isso é importante para o amadurecimento de um projeto de luz, porque a sequência de adaptações necessárias às novas condições em cada local vai filtrando o trabalho até o que lhe é essencial. O diálogo da iluminação com o espetáculo vai sendo cada vez mais integrado e necessário.

 

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José Henrique Moreira – iluminação – A Pane, de Friedrich Dürrenmatt

Teatro Villa-Lobos – Rio de Janeiro (RJ) – 2006

 

Você enviou algum material bidimensional para a exposição ou serão exibidas imagens virtuais?

Enviei somente as imagens para exibição em monitores digitais, como será a exposição de Seul. Cheguei a considerar o envio de gravações em vídeo de trechos dos espetáculos, mas a qualidade das fotografias é muito superior e traduz com maior fidelidade o efeito do trabalho.

Quais os créditos dos fotógrafos das fotos que me enviou?

Todas são de Marcelo Carnaval, fotógrafo de “O Globo” que sempre chamo para registrar meus espetáculos. É uma parceria que já tem dez anos, então ele já conhece meus truques de diretor (e iluminador, claro), aproveitando os momentos mais interessantes com o faro de um fotojornalista. Aqui está uma questão importante que me parece pouco discutida: até que ponto o fotógrafo de um espetáculo não se torna também parte da equipe de criação?