Archive for the ‘Em cartaz’ Category

Teatro, moda e… DEMÔNIOS?

Friday, August 15th, 2008

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(post enviado por FAUSTO VIANA)

Não que o tema me interesse; não que tenha feito e nem que tenha neste momento o desejo de fazer filmes de terror. Mas que  é curioso para qualquer pesquisador de figurino, é: o novo filme de Zé do Caixão, “Encarnação do Demônio”, tem como participação especial na criação de figurinos o estilista Alexandre Herchcovitch.

 

O filme encerra uma trilogia - claro que é macabra, com um título final destes… - que começou em 1964, com   “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” e passou por “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1966).

 

O figurinista oficial do filme é David Parizotti. Alexandre Herchcovitch assina… os trajes? Os looks? Os instrumentos do inferno? Enfim, botando lenha na fogueira sobre teatro e moda, ele desenhou a capa, a cartola e o colete utilizados por José Mojica Martins em cena. O estilista também cedeu peças de suas coleções passadas para serem suadas (é calor lá embaixo…) por outras personagens do filme, além de vestir também a personagem da Morte, criada pela modelo Geanine Marques. De quebra, ainda faz uma ponta como um travesti, ao lado de ninguém menos que Johnny Luxo.

 

Gostei muito de saber  que o figurino (look? OK, não repito a piadinha) foi criado pelo figurinista,  David Parizotti, em um workshop do curso de Design de Moda da Faculdade Belas Artes de São Paulo, aquela em que o “endiabrado” aluno fez uma pichação sem autorização  na diretoria e foi expulso da escola. Vibrações?…

 

Confira o site do filme: www.encarnacaododemonio.com.br! Vá aos cinemas! Depois conte para a gente.

 

Ou será que você tem medo?

por Fausto Viana

ENTREVISTA COM MARCELO PIES NO ESTADÃO

Friday, July 4th, 2008

Foto de Sandra Delgado

O jornal O Estado de S. Paulo está abrindo um bom espaço para eventualmente se falar um pouco dos figurinos teatrais e suas construções. Recebemos a proposta e fomos lá conferir o espetáculo protagonizado por Wagner Moura e com direção de Aderbal Freire. No dia seguinte, fizemos uma entrevista com o figurinista Marcelo Pies, que nos contou ponto a ponto sobre a criação dos figurinos. A entrevista saiu no jornal de hoje, ao lado das críticas de Mariângela Alves de Lima e Jefferson del Rios. Vale a pena ler. Quem não comprou a versão impressa do jornal, tem a chance de ler na internet no link http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080704/not_imp200450,0.php

Lá é possível também ver as fotos. Ou leia aqui abaixo:


4 de Julho de 2008 | Atualizado às 22:59h

    Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Entenda o processo de criação dos figurinos

Figurinista Marcelo Pies explica peça por peça, ponto por ponto

Fausto Viana e Rosane Muniz

Entrevista com o figurinista Marcelo Pies sobre seu processo de trabalho e a concepção dos figurinos para o espetáculo.

Como se deu a inspiração inicial para a criação dos figurinos de Hamlet?

Eu não assisti a nenhuma montagem do Hamlet até hoje, nem a mais recente do Enrique Diaz (Ensaio.Hamlet). Pensei em dividir as personagens em três grupos. O primeiro seria o grupo de teatro, que usaria uma roupa base, entre uma mistura de roupa de ensaio e as roupas dos atores. Mas sem a simplicidade que, na maioria das vezes, essas roupas têm. Em cima dessa base, entraria, aos poucos, o figurino da peça Hamlet, que seria o segundo grupo. E por causa da dicotomia ator/personagem, propus que sempre fosse revelada, por baixo, a roupa do ator que encena. Por isso, a brincadeira de casacos sempre abertos. Por exemplo, os guardas que vêm na cena do fantasma, usam uma mistura, uma colagem de várias roupas de exército, sem uma transformação. Os atores colocam a casaca e o público vê que é o ator se transformando naquela personagem. Então, o figurino para a peça Hamlet deveria ser um figurino despojado, mas que também não fosse uma roupa contemporânea, senão não teria muita diferença do primeiro grupo. O Aderbal não queria roupa de época e, desde o início, o Wagner Moura perguntou brincando: ”Aderbal, nós não vamos ter que usar aquelas meias colantes da Renascença, não é?” Nunca pensamos nesta opção, que só ficaria boa nas recriações perfeitas de figurinistas italianos, por exemplo. Aqui, ficaria ridículo.

Qual a inspiração para os figurinos da Gertrudes?

Acho que acabei inspirado pelos vestidos de baile do Dior. Só que sugeri que a roupa de baixo sempre vazasse e aparecesse. Por isso, as alças que a Carla Ribas usa, como atriz, sempre estão aparentes. O que, por um lado, leva a uma concepção moderna. Ficaria mais bonito, talvez, sem aparecer. Mas esta é a idéia, já que os atores trocam de roupa no palco, na coxia visível. Assim, seus vestidos sempre têm uma transparência, apesar de mais suntuosos e ricos. O Aderbal não queria muitas trocas, mas a rainha pedia uma riqueza maior. Assim, criei uma base de tule transparente, encorpado do busto até a cintura, que depois abre em uma saia. Criei todos os vestidos na técnica de moulage. Pus cada vestido no manequim e fui transformando junto com a costureira. Mantendo as formas acinturadas e com saias um pouco mais evasés e na cor vermelha. Nota-se que ela está com uma roupa nova, mas muito parecida, embora em tecidos e detalhes diferentes. Também tem a roupa de luto, onde todos aparecem de preto. E tem a roupa do quarto, que todos acharam que deveria ser uma roupa mais íntima, em um momento mais frágil.

Este conjunto de camisola e pegnoir também foi confeccionado especialmente para a peça?

É devoré feito à mão (esta técnica consiste em ”devorar” partes da peça por um processo especial, criando efeitos de alto relevo. Logo em seguida a peça é pintada). O vestido vermelho de veludo também. Aliás, os vermelhos foram quase todos tingidos. Não se achava um vermelho pronto, bonito. Então, todos foram pintados à mão para que se achasse o tom bonito e que desse uma unidade entre os três vestidos da rainha. No grupo de figurinos para a encenação de Hamlet tem mais duas coisas que foram inspiradas na época da Renascença, mas bem distante. Era moda que a roupa dos homens e das mulheres fossem talhadas. Uns cortezinhos que deixavam visível a camisa de baixo. Achei isso muito bacana porque parecem navalhadas. Aí resolvi adaptar. O primeiro paletó de veludo que o Wagner tem é cheio de navalhadas. Nas costas tem três navalhadas, no braço, o cotovelo sai… Essa idéia veio da Renascença. E a segunda coisa são as sobreposições, que também tinha quando deixavam transparecer a roupa de baixo. Então, também trabalhei sobreposições. O Wagner, como exemplo, veste um paletó comprido que tem três camadas na parte de fora. Tem uma camurça preta, depois uma mescla de tweed cinza, preto e branco e por último a base é um algodão estonado cinza. Fica bonito no palco e é teatral porque fica solto e ele brinca com isso em cena. O próprio Polônio usa uma sobreposição já no início. Ele tem dois paletós, um de brechó. Na verdade, o figurino deste Hamlet tem desenhos meus, tem peças de brechós que transformei e tem muita roupa de base, na parceria com a Osklen.

Me conte um pouco da opção pelo paletó dourado para o Claudio e como foram feitas as estampas nas costas e braços.

Optei pelo ouro velho (ele é o único que usa esta cor) porque ele é o rei. Assim, do mesmo jeito minimalista geral, passaria a idéia da sua riqueza, extravagância e poder. O paletó é de couro, pois foi o único material, na cor, que achei bonito e digno. Inseri as estampas em silkscreen porque o conceito precisava ser sublinhado, na minha opinião. Quando ele troca para o figurino preto, mantive a idéia do ouro nos silks. Todas as estampas foram desenvolvidas e, no caso da estampa ouro no preto, as cores de silk ouro não chegavam ao tom realmente ouro. Resolvi o problema passando o silk sem tinta, apenas com um tipo de cola usada para colar laminados. Depois joguei pó de ouro por cima.

O vestido de Ofélia na cena da loucura vem da idéia de uma camisa-de-força?

Sim. E isso me levou às camisas de homem. Como a roupa dos guardas, tive a idéia de fazer uma montagem e fui criando no manequim. Mas a criação original era para ser uma mistura de camisa-de-força, vestido de noiva e freira. Ia ser mais clara a idéia da freira porque ela ia ter um acessório de cabeça que misturava a loucura com o adereço usado pelas freiras. Mas o Aderbal achou demais e caiu. Aí ficou o sentido da noiva e da loucura, como os mendigos que misturam uma roupa em cima da outra. Acho que é um dos vestidos mais bonitos da peça.

Como o desgaste que você usou na roupa dos coveiros?

É. Os coveiros estão, a princípio, dentro da cova. Então pede este desgaste, da terra. Nesta peça eu quis criar uma estética próxima do contemporâneo, mas que tivesse uma estranheza. Por exemplo, quando o Hamlet usa aquela blusa cheia de zíperes. Pensei isso para não repetir a idéia só dos cortes como navalhadas. O zíper, quando aberto, também permite os vazados.

Sobre o zíper, foi muito comentado quando o figurinista Fabio Namatame criou os figurinos para o Hamlet do Diogo Villela com roupas de zíperes aparentes.

Ai… eu não vi, não. Mas a estética dele era muito mais próxima da Renascença, pelo que lembro de algumas fotos… O zíper pode ser uma navalhada, só que abre e fecha em alguns momentos.

Você usa e abusa do recurso das sobreposições na confecção das casacas e paletós.

Claro. As sobreposições de camisas da Ofélia eram por causa da loucura. Mas o Hamlet , até duas semanas antes da estréia, tinha um figurino, que foi uma das razões para a criação da roupa da Ofélia. Eram cinco camisas sociais, uma em cima da outra, em dégradé Até chegou a ser fotografado, mas tinham trocas demais e este figurino teve de ser cortado.

Você mistura elementos de época com trajes contemporâneos. A intenção era ser atemporal ou trazer Hamlet para o cotidiano e colaborar com esta identificação do público?

Era para ser atemporal. Puxando mais para o contemporâneo do que outra coisa. Mas claro, eu fiz o dever de casa, estudei a Renascença, o período medieval e peguei os elementos que me bateram, como essas sobreposições e cortes. O Aderbal fala isso: tem uma estranheza. Parece contemporâneo, mas ao mesmo tempo é mais ousado.

A armadura, que pesa 16 quilos, está em cena mais como símbolo e adereço do que propriamente uma veste cênica .

Sim. A única coisa que o Aderbal queria mais próximo de época possível era a armadura. Eu poderia ter estilizado, mas esta é uma cópia de uma armadura renascentista. Cheguei até a pesquisar de aço, mas era muito pesado e muito caro. No início ela era brilhante, depois envelhecemos. Mas como ela tinha que ser vestida em cena, foi toda adaptada com velcros.

A cueca de seda vermelha usada por Tonico Pereira faz parte do figurino de Claudio ou da coleção pessoal do ator e seu fetiche por esta peça, que é normalmente sua roupa de ensaio oficial?

Eu conheço o Tonico há muito tempo, mas nunca tinha feito teatro com ele. Quando o vi chegando no ensaio, tirando a roupa e ensaiando de cueca… O Tonico de cuecas… fazendo o Claudio… (risos )

Serviço
Hamlet. 170 min (c/ intervalo). 14 anos. Teatro Faap (500 lug.). Rua Alagoas, 903, 3662-7233. 6.ª e sáb., 20 h; dom., 18 h. R$ 80. Até 28/9

ESPETÁCULO INSPIRADO EM KANDISNKI (SP)

Thursday, June 19th, 2008

Queria muito ver este espetáculo. Quem já viu ou vir até domingo, escreva pra contar pro blog, pois eu não conseguirei… snif!

O ponto, a reta e a curva são alguns dos personagens inspirados em Kandinsky que estão em cena       Está em cartaz até o dia 22 de junho no CCSP, Centro Cultural São Paulo- sala Jardel Filho, o espetáculo infanto – juvenil “Lúdico”, com concepção e coreografia de Miriam Druwe, que assina a direção junto com Cristiane Paoli Quito. Na equipe de criação estão Marisa Bentivegna, Marco Lima e Fabio Cardia; no palco, os bailarinos Adriana Guidotte, Tatiana Guimarães, Luciana de Carvalho, Sérgio Luiz, Bruno Rudolf e a própria Miriam Druwe. Esse espetáculo foi contemplado pelo 3º Fomento Municipal à Dança.            “Lúdico” é inspirado nas obras do pintor russo Wassily Kandinsky e propõe de forma colorida e poética um passeio pelo universo da criação de uma obra de arte. Cores e formas se agitam em busca de um lugar.

Pesquisa e Montagem

             Há tempos Miriam Druwe alimentava paixão pela obra de Kandinsky. Pintor reconhecido pelas cores e formas de suas obras, teve contato muito cedo com a música, aos 8 anos. Essa pequena incursão nas aulas de piano e violino deu noções fundamentais de harmonia e evolução, que depois seriam utilizadas.             Como base para todo desenvolvimento e criação do espetáculo, Druwe pesquisou no livro Do espiritual na arte, publicado em 1912, a primeira grande obra teórica sobre pintura. Nela, o pintor desenvolvia uma investigação filosófica sobre as cores e as formas, às quais conferia valores psicológicos e morais e as comparava com a música, que, apesar de sua imaterialidade, era capaz de fazer “vibrar a alma”.  Anos mais tarde, em 1926, o artista russo lança Ponto e linha sobre plano, em que elabora a teoria semelhante à utilizada pelos músicos para compor. Era a necessidade interior do artista em detrimento à forma, que sempre teve, para ele, importância secundária. Em suas obras, umas das preocupações era a busca de um equilíbrio instável entre elementos opostos.            A partir dos elementos pesquisados, Miriam Druwe percebeu que o caráter lúdico sempre esteve à sua porta, rondando-a. Ouvindo o desejo interior de sua alma artista, juntou sua paixão pelo pintor russo, cercou-se de profissionais premiados e competentes das artes e percebeu que pela primeira vez em sua carreira falaria às crianças. Assim surgiu “Lúdico”.

O Espetáculo

            No espetáculo Lúdico, a reta, a curva e o ponto são personagens que têm características e personalidades próprias. A curva, estilosa, assanhada e sinuosa tem um temperamento e mobilidade corporal que lembra a serpente, é elástica, pode ceder e evitar, porque é capaz de desviar… O ponto é o início de tudo! E por ser o princípio, a tela branca foge dele, porque ela se acha linda assim, e tenta convencer a todos que sendo o mais simples dos elementos é cheia de graça, mas também cheia de expectativa… A reta é determinante, mandona, indica caminhos (corporais), tem certeza que é uma junção de pontos (o que é verdade…). O círculo preto, circunspecto, sisudo, é meditativo e diz, va-ga-ro-sa-men-te: “Aqui estou”. O círculo vermelho, por sua vez, é troada e relâmpago, apaixonado, irradia para todos os lados e roda, roda, roda…  O criador (ou pintor) ao se deparar com a reta, os círculos, o ponto, a curva e a tela, é engolido pela obra. 

Ficha Técnica

Concepção, Coreografia e Direção: Miriam Druwe Co-Direção: Cristiane Paoli QuitoTrilha sonora: Fabio Cardia Cenografia e Figurino: Marco Lima Desenho de Luz: Marisa Bentivegna Produtora Executiva: Anne Pampolha Intérpretes Criadores: Miriam Druwe, Adriana Guidotte, Tatiana Guimarães, Luciana de Carvalho, Sérgio Luiz, Bruno Rudolf. Atriz Convidada: Luciana Paez Estagiários: Cristiana Uehara e Leandro Breton Foto: Rodrigo Netto Colaboração: Estelamare dos Santos Assessoria Cultural: Doble Comunicação Cultura + Social.  

Serviço

17 de Maio a 22 de Junho de 2008 Local: Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho - R. Vergueiro, 1000 – Paraíso Telefone: 011 3383-3400Lotação: 324 lugaresDuração: 60 minutosTemporada: Sábados e domingos às 16h00Aceita cheque/Acesso para deficientes físicos/ Ar condicionadoENTRADA GRATUITA- distribuição de ingressos uma hora antes 

Informações para a imprensaCanal Aberto – 11 6914 0770/ 9126 0425 – Márcia Marques - www.canalaberto.com.br

Dois espetáculos: duas obras de arte (SP)

Sunday, February 24th, 2008

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Assisti, neste fim de semana, a dois espetáculos teatrais que mostram como esta arte, pela qual sou inteiramente dedicada, mantém sua força cênica e conta com profissionais competentes e conscientes de seu “ofício”: a estréia de A Moratória, na montagem do Grupo TAPA e A Mulher do Trem (que começou carreira em 2003),  do grupo Os Fofos Encenam.

Em primeiro lugar, não posso deixar de registrar que dá gosto ver o teatro lotado. Bons espetáculos, em espaços alternativos, nem sempre conseguem a notoriedade que merecem. O Sesc (onde está em cartaz a peça do TAPA), com a seriedade e apoio que dá ao teatro, sempre conta com um público cativo que acompanha sua programação ao redor da cidade e do interior. Quando tem um espetáculo de qualidade como este, então, faça fila pra conseguir um lugar na platéia. Mas ver um espaço novo (inaugurado em nov/2007) lotando, como o do grupo dos Fofos, é resultado de um trabalho de grupo de qualidade.

A Mulher do Trem marca Leopoldo Pacheco como diretor de arte dos espetáculos da companhia e faz com que, em parceria com Carol Badra (uma das fundadoras do grupo e ótima atriz), ganhem o prêmio Shell de melhor figurino, em 2003. Vários outros prêmios vieram em seguida: Melhor espetáculo, direção, trilha sonora, figurino, ator (Newton Moreno), ator coadjuvante (José Roberto Jardim) e atriz coadjuvante (Silvia Poggetti) no Festival de Teatro de São José dos Campos; melhor diretor de comédia (Fernando Neves) e atriz cômica (Carol Badra) no Prêmio Qualidade Brasil.

A maquiagem é fundamental na caracterização das personagens e, junto com o figurino, colabora muito com a criação dos “tipos” presentes em cena (vide fotos no alto deste post), neste circo-teatro, representados com um respeito ao texto (sem cacos), técnica vocal e graça admiráveis. Vida longa ao grupo e sua nova sede (Rua Adoniran Barbosa, 151 - Bela Vista - (11) 3101-6640. Aceita reservas por telefone)!

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Quanto ao trabalho do grupo TAPA, inegável a qualidade no trabalho de pesquisa de Eduardo Tolentino e sua trupe. Os figurinos e cenários de Lola Tolentino merecem um post a parte, já que as histórias são muitas. Desde os móveis de fazenda comprados no interior de São Paulo e utilizados cenicamente, sempre com signos representativos para a história, ao invés de meros aparatos decorativos. Até os vestidos confeccionados a partir de toalhas de mesa originárias de vários países pelos quais a figurinista já passou. Tudo colabora (relógio, quadros, cadeiras…) com a trama desta família que vivencia muitas perdas em decorrência da crise do café em 1929.

Este texto de Jorge Andrade foi montado pela primeira vez em 1955, pela Companhia de Maria Della Costa e dirigida por Gianni Ratto, que havia chegado ao Brasil no ano anterior e encenava sua terceira peça com o grupo. A presença da atriz na platéia foi uma grande homenagem (a atriz foi convidada de honra do grupo e do Sesc), principalmente aos que haviam presenciado a montagem anterior com seus planos separados e agora tem a oportunidade de conferir a sobreposição proposta por Tolentino.

tapa-3.jpg Detalhes, como a troca da bota pelo sapato ou ainda o colete, colaboram para que Zécarlos Machado “viva” Joaquim do campo para a cidade.

Mas esta não foi a primeria montagem do autor pelo TAPA. Zé Carlos havia dirigido a peça O Telescópio, que será filmada para a TV Cultura, em março. E Rastro Atrás, que também fez longa temporada. Na foto desta última peça, meu amigo e parceiro do Nosso Grupo de Teatro, Tony Giusti, e a atriz Fabiana Vajman.                  tapa-rastro-atras.jpg

O espetáculo A Moratória pode ser conferido ao vivo no Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque - (11) 3234-3000) até 16/março.