Leituras

Rosane Muniz

Bienal de São Paulo: 30 anos

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Mostra 30×bienal: Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição

 

Aberta até o dia 8 de dezembro, a exposição 30xbienal comemora as seis décadas de existência e 30 edições da Bienal de Arte de São Paulo. Uma homenagem à história do evento e aos mais de cem artistas que passaram por ele até 2012. A seleção está composta por cerca de 250 obras de 111 artistas, selecionadas pelo curador Paulo Venancio Filho.

 

Cartazes das edições passadas da Bienal

 Cartazes das edições passadas da Bienal

  Entre as escolhidas, há obras de artistas como Iberê Camargo, Tomie Ohtake, Hélio Oiticica, Amilcar de Castro, Maria Leontina e Volpi. Entre os contemporâneos, destacam-se Jorge Guinle, Adriana Varejão e os paulistanos do grupo Casa 7, entre eles os jovens pintores Paulo Monteiro, Nuno Ramos, Carlito Carvalhosa, Fábio Miguez e Rodrigo Andrade. Obras de destaque são dos artistas Mira Schendel, Marcello Nitsche e Waltercio Caldas.

 

 Obra sem título (abstração em branco e cinza), 1961, de Tomie Ohtake

 Obra sem título (abstração em branco e cinza), 1961, de Tomie Ohtake

Obra "Metaesquema I", 1958, de  Hélio Oiticica

Obra Metaesquema I, 1958, de Hélio Oiticica

Obra "Atlantes", de Adriana Varejão

Obra Atlantes, de Adriana Varejão

  A organização dos espaços foi definida pelo curador mais por afinidades estéticas do que pela cronologia. Vai além de uma retrospectiva ou uma reconstrução, propondo um novo olhar sobre o que se transformou e o que se preservou na arte contemporânea deste período. “Tem artistas que não estão, mas são representados por outros. Não é uma exposição definitiva, uma conclusão. É uma possibilidade. É para ser discutida, mas acho que é suficientemente representativa”, diz Venancio.

 

Ondas Paradas de Probabilidade, 1969, da artista suíça, radicada brasileira, Mira Schendel

 Bolha Amarela, 1967, de Marcello Nitsche

Bolha Amarela, 1967, de Marcello Nitsche

Obra "A Velocidade", 1983, de Waltércio Caldas

Obra A Velocidade, 1983, de Waltércio Caldas

Bienal das Artes Plásticas do Teatro

Desde 1951, a Bienal de SP desempenha o papel de reunir diferentes linguagens artísticas. Por este motivo, uma lacuna na mostra 30xbienal é a ausência total de obras relacionadas a alguma das sete edições da Bienal das Artes Plásticas do Teatro (1957-1973). É sempre bom lembrar que na IV Bienal de São Paulo, em 1957, o Museu de Arte Moderna apresentou a I Bienal das Artes Plásticas do Teatro: primeira exposição internacional de Arquitetura, Cenografia, Indumentária e Técnica do Teatro que, mais tarde, viria a estimular a criação da Quadrienal de Praga. O Serviço Nacional do Teatro, ligado ao Ministério da Educação e Cultura era o responsável pela organização da Bienal de Artes Plásticas do Teatro. O Museu de Arte Moderna era o promotor e organizador da Bienal de São Paulo e das competições, que desde a segunda edição acontece no prédio do Parque Ibirapuera, construído em função das comemorações do IV Centenário de SP. Quase 20 países participaram dessa primeira Mostra e trabalhos de mais de 50 artistas brasileiros foram expostos, entre eles, as criações para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro e para o Ballet do IV Centenário. Flávio de Carvalho possuía quatro trabalhos na I Bienal das Artes Plásticas do Teatro e recebeu a Medalha de Ouro.

 

Movimentos e novas categorias reconhecidas na arte

Mas não ter alguma obra relacionada ao fazer teatral não significa que a cenografia não está presente na mostra 30xbienal. Desde 1951, os termos e definições já provocam debates. “Hélio Oiticica passou pela pintura, pela escultura, mas também escapou a essas categorias. Colocou suas formas e cores em movimento vivo. Mas esse tipo de movimento demora a ser reconhecido na arte.” Escultura? Vídeo? Instalação? Performance? O que é cada obra de arte? A Fundação Bienal de São Paulo e a produtora Mira Filmes realizaram um documentário referente aos 60 anos da Bienal, no qual relembram edições do evento, importantes correntes históricas e relacionam artistas brasileiros presentes nesta exposição de 2013. Assista aqui.

 

Obra "Relevo Espacial", de Hélio Oiticica

Obra Relevo Espacial, de Hélio Oiticica

  Para refletir sobre uma delas, preste atenção na obra Xifópagas Capilares, de Tunga. O registro fotográfico de Manuel Valença foi exposto na 24ª Bienal, em 1998, e traz uma imagem da performance criada por Tunga, que cria situações que se desviam da normalidade. Segundo o artista, a obra revela a história de irmãs gêmeas siamesas que nasceram unidas pelo cabelo… Faz parte de “um conjunto de trabalhos em que um sempre leva a outro, como se existisse um ímã”.

 

Obra "Xifópagas Capilares", de Tunga

Obra Xifópagas Capilares, de Tunga

"Xifópagas Capilares Entre Nós- performance apresentada no Instituto Inhotim, em 1985

Xifópagas Capilares Entre Nós,  performance apresentada no Instituto Inhotim, em 1985

31ª Bienal de São Paulo: primeiras linhas de orientação curatorial

A 31ª Bienal de São Paulo vem sendo concebida por uma equipe de curadores, que atua em colaboração com as equipes internas da Fundação Bienal. Várias intervenções estão sendo propostas com a intenção de questionar as definições tradicionais de “artista”, “participante”, “consumidor” e “espectador”. Segundo divulgado pela equipe da Bienal, “Por meio da arte, o projeto é chegar ao que parece não existir, ao que pode ser experimentado, mas não articulado em palavras; ao que pode ser sentido, mas não explicado; àquilo em que se possa acreditar, mesmo que não possa ser provado.” Entre a programação, acontecem encontros abertos, o workshop Ferramentas para Organização Cultural (inscrições até 25 de novembro) e eventos gratuitos. Confira nos links.

 

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