A Disney sabe fazer figurino…

Post enviado por Fausto Viana

Tanto tempo afastado do blog (sem postar, pois estou sempre aqui lendo!) e quando volto, venho para falar da Disney? Mas o período de férias, para quem tem filhos, não deixa muitas outras opções. E foi justamente saindo do cinema – no horário em que meu filho deveria estar na escola, naturalmente – que percebi a grande jogada da Disney com o filme Encantada, que estreou agora em dezembro. Uma mistura de desenho animado com filme.

Amy Adams faz a camponesa que se apaixona por um príncipe, vivido pelo ator Patrick Dempsey. Há uma cruel Rainha, personificada pela atriz Susan Sarandon, que não quer que o casamento aconteça.

2007- Dez. 28-susan-sarandon-interpretou-vila-no-filme-da-disney-encantada

Só isso é o óbvio. O resto é surpreendente.

Primeiro porque a Disney tira um grande sarro de toda esta história de amor, mas faz uma história de amor. Traz de volta os grandes musicais da Metro, na espetacular cena do parque, que passa a sensação de ter três mil figurantes, para fazer a maior gozação com cenas de musicais – e faz um musical. Ironiza o enredo que se propõe a defender – mãe-que-odeia-camponesa-que-ama-seu-príncipe-filho mas faz o enredo extremamente pertinente. Acima de tudo, goza da própria Disney, usando imagens que poderiam ser tiradas de Branca de Neve, Peter Pan… Todos os livros de auto-ajuda bateriam palmas – rir de si próprio é uma grande chave da contemporaneidade.

Tudo é invertido. Amy Adams é magérrima, como não poderia deixar de ser no imaginário das princesas, mas reparem como ela adora as mulheres gordinhas no filme. Seus vestidos são cortados das cortinas da casa, que por “coincidência” são sempre em motivos florais – se alguém lembrar de A Noviça Rebelde (The Sound of Music) ou E o Vento Levou… (Gone With the Wind) vai acertar na mosca. Apesar de o romantismo dos dois filmes serem evocados, a imagem final é da ACME dos desenhos animados: os moldes dos vestidos ficam recortados nas janelas ou no chão por onde a heroína principal passou cortando suas roupas. Ah, sim, ela troca todos os dias…

O príncipe é lindamente tolo. Vivido pelo ator James Marsden, é figura engraçada, mas príncipe do passado, usando trajes do passado. O verdadeiro príncipe da história é Patrick Dempsey, o Dr. Derek da série Grey’s Anatomy. Um homem aparentemente tão comum quanto comum parece Amy Adams, mas que juntos possuem uma energia incrível – “claro, também, com toda a produção por trás…”, dirá o leitor, ao que eu responderei: “Não seja azedo!”  Os padrões de beleza também estão invertidos, de uma forma também mais contemporânea. Os dois protagonistas têm rugas e nenhum software foi usado para suavizar as expressões.  A beleza de cada um deve ser valorizada.

2007- Dez. 28-Encantada

O ponto alto da lição Disney sobre figurino vem do baile, quando as princesas normalmente vêm com os vestidos mais suntuosos. Só que isso não acontece: vão assistir o filme para ver como os Estúdios Disney fazem a mulher contemporânea se sentir valorizada. Ah, sim, e princesa moderna, mesmo que ultra-otimista e feliz como a protagonista, tem direito à “chapinha” nos cabelos, para ficar melhor para o baile.

 

A Disney administrando “conflitos”.Vá ver!

 

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