MAKING OF DE UM DIA COMO “BAIANA” – parte II

Continuando o relato de um dia como “baiana”, acompanhem o making of – parte II:

18h35 – As baianas vão chegando ao caminhão e as saias base já começam a ser distribuídas pelos respectivos nomes. Cada uma vai pegando sua fantasia e vestindo. A rua é ocupada por baianas e os carros têm dificuldade de passar, já que cada saia tem 2,50cm de diâmetro! Há a pressa de vestir, é claro, mas nada é tão simples assim. Existe uma espécie de ritual e de respeito pela roupa que está se vestindo. É o peso da tradição cultural do traje, que não é lembrado em detalhes, mas está como que no subconsciente, dando pra perceber que há um pedido de licença silencioso dentro de cada uma que pega seu traje.

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 19h00 – Damos por falta por algumas baianas. É aí que ficamos sabendo que um dos ônibus sofreu um acidente a cinco minutos do destino final. Mesmo assustadas, com ferimentos leves e dentes quebrados, a maioria chegou para desfilar. Mas fica aqui a homenagem às que não conseguiram, pois tiveram que ficar no hospital: Lurdes, Jacira (que terá que operar o nariz fraturado), Eudóxia e Claudinete, além das duas mineiras que estavam tão animadas e foram para a concentração correndo, mesmo depois de uma delas ter levado oito pontos no lábio superior (infelizmente o caminhão com as fantasias já tinha ido para a dispersão e elas não puderam desfilar. Foi uma choradeira. Mas lá estávamos nós, baianas, prometendo que elas estariam em coração conosco na avenida. Quanta emoção!).

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19H20 – Está na hora de caminhar para a concentração. Mais vinte minutos de idas e vindas, porém desta vez com o peso da saia no corpo e com o restante da fantasia dividido em três sacos (um com o chapéu, outro com a ombreira e mais um com a sobressaia, chamada por elas de pano da costa; afinal, toda baiana deve vir com um pano da costa para “fechar o corpo e se proteger”, não é?). Imaginem o sufoco para conseguir passar por entre os ambulantes e o público com aquela fantasia! Claro que algumas não conseguem e vão pedindo ajuda pelo caminho. Ajudei a carregar também os sacos de uma colega enquanto consegui. Ufa! Mas o marido que ajudou a costurar estava lá também. E todas queríamos os maridos ao nosso lado nesta hora!!…

FINAL-11Baiana que ajudei a carregar a fantasiaMarido bom...Andanças com peso...

20h00 – As baianas vão chegando aos poucos e esperando por ajuda para vestirem seus trajes. Afinal, além do cansaço da caminhada, o tamanho da roupa não permitia o acesso aos complementos do traje. A maioria do apoio ainda está no caminhão esperando as retardatárias, enquanto pegamos quem passa, de diretoria a outros apoios, para ajudar a vestir a fantasia.

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20h30 – A maioria da ala está pronta. O apoio vai passando para dar os arremates e retirar possíveis balangandãs e acessórios (e olha que tem muito, viu!) para que todas as baianas fiquem iguais e não se perca ponto na avenida. É o lado profissional da preocupação com o traje. Não podemos esquecer que o Carnaval do Rio de Janeiro faz com que cerca de 700 milhões de reais troquem de mãos. É mais de um milhão de empregos gerados na cidade. A União da Ilha, sem contar com patrocínio neste seu retorno ao Grupo Especial, gastou 4,5 milhões, enquanto a campeã Unidos da Tijuca desembolsou 8 milhões para que Paulo Barros desse seu show.

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Não perca, em seguida, a parte III do making of, com o desfile na Sapucaí!

Enviado por Rosane Muniz

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