FANTASIA É FIGURINO?

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Ah,meu deus, qual será o “conflito”da Sabrina Sato????

Tudo bem que é carnaval, mas vamos aproveitar a chance para pensar um pouco em um tema recorrente- fantasia é figurino?

Ora, vejam só. Muita gente já se incomodou com a seguinte pergunta: “E aí, as fantasias da sua peça de teatro estão prontas?” Grrrrrrr, explosões de ódio se seguem por parte do figurinista. A resposta normalmente vem no seguinte formato: “Não, porque eu não faço fantasias. Eu faço figurinos, trajes cênicos, indumentária teatral, qualquer coisa menos fantasia”!

Fantasia normalmente é um traje que já vem, por pré-definição, estabelecido e com um formato mais ou menos conhecido. Fantasia de pirata, de baiana, de melindrosa, de caveira (que eu acho ótima), de bailarina de dança do ventre e por aí vai. São normalmente tecidos leves, bem coloridos e baratos, claro, porque é um traje que vai ser usado algumas vezes e cujo destino é a lata do lixo, a doação ou a reciclagem.

Ou você conhece alguém que sai há trinta anos como pirata ou marinheiro? Afaste-se já dela, que esta pessoa tem um lapso criativo permanente!

A palavra fantasia fica então associada a uma coisa passageira, leviana, sem muita significância porque faz parte da maior festa profana do mundo.

Agora, só para soar acadêmico no Reinado de Momo, o problema principal é a falta do conflito dramático, não é? No meio da farra, ninguém quer saber de interpretar nada, estabelecer catarse ou algo que o valha. É folia e pronto, tudo deveria acabar na quarta-feira. Deveria , mas que vai até o domingo, vai

Mas para ser advogado do diabo do meu próprio post, que tal as roupas dos nobres dos antigos carnavais de Veneza, luxos dourados e tecidos riquíssimos? Lamento, mas é a mesma coisa com uma renda per capita mais elevada. 

Ah, mas e as roupas do Orfeu da Conceição, que já foi filme e peça de teatro? Aí sim a gente sai da folia e volta para o traje teatral, que se vale de uma fantasia carnavalesca em determinados momentos para refletir a tragédia de Orfeu. Mas aí já tem conflito dramático até debaixo d’água.

Agora, se o Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no Carnaval, ele deveria pagar royalties ao teatro e se tocar que as roupas deles no meio do salão não têm nada a ver com os dois personagens da commedia dell’arte.

A solução é buscar consolo com alguma enfermeira. Talvez do funk?

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Um Arlequim negro no carnaval de Curaçao.

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O Arlequim da companhia do Giorgio Strehler, em cena.

Enviado por Fausto Viana

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