Trajes dos Papangus X Clóvis X Caretos

Papangus Caretos Clóvis
Vocês devem estar perguntando, quais as ligações entre esses três trajes?
Esses três grupos carnavalescos, distantes um dos outros – Papangus em Pernambuco, os Clóvis no Rio de Janeiro e os Caretos em Portugal – trazem para as ruas das cidades onde passam o terror e o medo, assustando crianças e adultos com fogos, gritos e suas máscaras horripilantes.
Cada um tem suas características, mas com similaridades na essência do vestir: obrigação do anonimato total, não permitindo nenhuma parte do corpo descoberta e, principalmente, na maneira encontrada por esses foliões de se divertir.
Resistente ao tempo, a fantasia de Clóvis, ou Bate-Bola, continua sendo utilizada por foliões no subúrbio do Rio de Janeiro (RJ). Com aparência de palhaço, roupas coloridas e máscaras transparentes. Por esse motivo, supõe-se que o nome tenha derivado da lingua inglesa “clown” (palhaço).
Em grandes grupos carnavalescos, que variam de 20 a 150 participantes, saem de bairros da zona norte e oeste da cidade, do sábado até a terça-feira de carnaval, percorrendo as ruas, brincando, cantando, batendo suas bolas no chão e assustando, principalmente, as crianças.
O momento mais esperado é a saída do galpão, com fogos de artifício e muita alegria, para mostrar ao público presente a fantasia do ano, já que a anterior é descartada a cada carnaval.
A preparação do traje tem início nos meses de março a abril, que é quando os foliões começam a pensar em um tema que orientará a definição estética da fantasia e servirá de base para a escolha das cores dos tecidos, estampas e ilustrações, além de influenciar no planejamento e desenhos do novo visual do grupo para o próximo carnaval.
O grupo Agunia, denominado Bate-Bola e Bandeira, com aproximadamente 130 componentes, foi fundado em 1979, por Ademilson Gomes, mais conhecido por ZUZU. Ele próprio, junto a um grupo de amigos, contaram em entrevista que desenham e confeccionam as suas fantasias, buscando sempre inspiração em um tema atual.
O barracão localizado na Estrada do Sapé, número 790, no bairro de Rocha Miranda – Rio de Janeiro (Fotos de Marizilda Carvalho)
Máscara do grupo Agunia
Com o passar do tempo, a indumentária foi incorporando novas características e, atualmente, os grupos de clóvis podem ser classificados em diversos tipos, tais como “bola e sombrinha”, “leque e sombrinha”, “bicho e leque” “bola e bandeira”, entre outros.
Segundo Aline Pereira, estudiosa dos grupos de Bate-Bolas, as peças de vestuário básico são o macacão e a sobreveste. O macacão pode variar com relação às modelagens, volumes, tecidos, padronagens e acabamentos e recebem denominações específicas, tais como: macacão de duas bandas, macacão de perna, macacão de saia, macacão roda baiana, macacão linguiça, macacão listrado, macacão de duas mangas, macacão bufão etc. Uma sobreveste (que pode ser uma capa, uma casaca ou um bolero), e as técnicas de produção destas sobrevestes, correspondem em média a 50% do valor total da fantasia, que em alguns casos chega a custar R$ 1200,00. Também compõe o traje, uma máscara, composta de tela e capuz de tecido.

Fantasia do grupo Agunia. Tema do traje: Comemoração dos 30 anos.
Outras peças do vestuário complementam a fantasia e cumprem, além da função estética, o papel de cobertura do restante do corpo do Bate-Bola. Entre estas peças podem ser citados os meiões, as luvas, e os calçados (normalmente botas personalizadas ou tênis esportivos).
Falamos sobre a fantasia dos grupos de Papangus de Bezerros, comentamos sobre as fantasias dos Clóvis, do Rio de Janeiro. Não perca a vez dos Caretos de Portugal!
Até lá
Enviado por Marizilda Carvalho




