DA ROMÊNIA PRA SAPUCAÍ

Well… tudo começou em 2009 com o convite para participar do Simpósio de figurino na Romênia. O tema era A Influência do Traje Folclórico na Criação Teatral e, como representante brasileira no Grupo de Trabalho de Figurino da Organização Internacional de Cenógrafos, Técnicos e Arquitetos Teatrais no Brasil (OISTATBr), eu iria apresentar um paper que prepararia com o Prof. Fausto Viana. Juntamos nossas pesquisas e montamos uma apresentação inicialmente didática sobre a riqueza cultural do nosso país, passando por trajes folclóricos e regionais das várias regiões, para depois seguirmos com trabalhos teatrais que usam a pesquisa na cultura brasileira para suas criações e provocando reflexões. (Para ver um resumo com toda a atividade desenvolvida em Sibiu, publicarei o relatório elaborado para o Minc  - que custeou as passagens -, no site da ABrIC/OISTATBr. Farei também, em breve, uma palestra sobre os trabalhos apresentados por lá e divulgarei aqui no vestindoacena para que vocês possam comparecer).

Mostramos Pia Fraus, Antonio Nóbrega, Gabriel Villela, Babado de Chita e muito do trabalho de Luiz Augusto dos Santos pra Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. Mas foi no traje regional que começou a “briga”: levamos o traje de baiana? Fausto defendia a sua legitimidade cultural, eu acusava a “generalização” de nossa imagem vendida no exterior. É claro que levamos outros trajes (o feito de chita para Folia de Reis foi muto marcante), mas depois de muita pesquisa e debates, o traje foi para a Romênia, demonstrando suas diversas classificações: uniforme (vendedora de acarajé), traje religioso (candomblé), fantasia (Carnaval). Levamos o traje de baiana branco e foi um sucesso tanto na exposição quanto na parada de rua e acabou virando parte de cartão de Natal distribuído a figurinistas de vários cantos do mundo pelo Prof. Nic Ularu, da Universidade da Carolina do Sul (EUA).

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Mas o negócio, ao que se refere ao traje da baiana ia além. O assunto voltou à baila quando estávamos em uma das aulas da disciplina de pós-graduação da ECA-USP, “O espetáculo não pode parar: a indumentária em cena e fora dela”. Continuamos nossas pesquisas e decidimos escrever sobre o tema para a nossa coluna na revista dObras, que sairá na próxima edição, nº8 (você vai perder? Fique atento ao lançamento!).

Entrevistamos várias pessoas para o desenvolvimento da matéria, entre elas, pai de santo, vendedora de acarajé e a vice-presidente da ala das baianas, Sema, da União da Ilha do Governador. Nesta última, eis que uma ligação naquele exato momento faz com que as baianas venham parar no vestindoacena!

Uma baiana passou mal, não poderia desfilar mais e… por coincidência vestia o mesmo tamanho e calçava o mesmo número que a jornalista que vos fala. Convite aceito! E agora o vestindoacena traz o making of da preparação das baianas da União da Ilha do Governador para a cena, com enredo desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães. Vamos agora não só refletir e estudar o traje, mas sentir a emoção de vesti-lo, na versão fantasia, em plena avenida do samba carioca.

                                  ROSANEinterior da anágua de baiana, conferida a medida, inserido o conduite e já pronta para ir no caminhão para a Sapucaí.

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