TRABALHOS BRASILEIROS EM SEUL III
José Henrique Moreira- iluminação – O Processo, de Franz Kafka
Teatro Maison de France – Rio de Janeiro (RJ) – 2008
O que significa expor em um evento internacional como o WSD?
Significa, em primeiro lugar, ter o trabalho reconhecido fora do Brasil, que hoje tem seus “critérios de qualidade” determinados por uma aliança perniciosa entre produtores, críticos e as comissões de patrocínios e prêmios. Na WSD, cada artista se inscreve com independência e sem necessidade de “chancela” de quem quer que seja, então ter sido selecionado por um júri internacional é um mérito inquestionável. Além disso, e de não menos importância, é a oportunidade de intercâmbio que só ocorre nos eventos presenciais, onde a observação das obras de todo o mundo se soma a troca pessoal de experiências entre os expositores.
Qual o critério que você usou na escolha dos trabalhos inscritos, ou seja, qual o diferencial entre seus outros projetos?
Dos últimos trabalhos de iluminação que realizei, sempre para espetáculos também sob minha direção, “A Pane” e “O Processo” foram os que tiveram carreiras mais longas e maior itinerância por diferentes cidades e casas de espetáculos. Isso é importante para o amadurecimento de um projeto de luz, porque a sequência de adaptações necessárias às novas condições em cada local vai filtrando o trabalho até o que lhe é essencial. O diálogo da iluminação com o espetáculo vai sendo cada vez mais integrado e necessário.
José Henrique Moreira – iluminação – A Pane, de Friedrich Dürrenmatt
Teatro Villa-Lobos – Rio de Janeiro (RJ) – 2006
Você enviou algum material bidimensional para a exposição ou serão exibidas imagens virtuais?
Enviei somente as imagens para exibição em monitores digitais, como será a exposição de Seul. Cheguei a considerar o envio de gravações em vídeo de trechos dos espetáculos, mas a qualidade das fotografias é muito superior e traduz com maior fidelidade o efeito do trabalho.
Quais os créditos dos fotógrafos das fotos que me enviou?
Todas são de Marcelo Carnaval, fotógrafo de “O Globo” que sempre chamo para registrar meus espetáculos. É uma parceria que já tem dez anos, então ele já conhece meus truques de diretor (e iluminador, claro), aproveitando os momentos mais interessantes com o faro de um fotojornalista. Aqui está uma questão importante que me parece pouco discutida: até que ponto o fotógrafo de um espetáculo não se torna também parte da equipe de criação?

