A CHITA NA SAPUCAÍ

Matéria do MÊS da Newsletter de A Casa – Museu do Objeto Brasileiro

Da Índia para a Marquês de Sapucaí

“Sou a Chita Bacana a brilhar
No batuque da Estácio de Sá
Sou o samba raiz felicidade
Na força da Comunidade”

No último sábado a chita foi o destaque do desfile no grupo de acesso da escola de samba carioca Estácio de Sá. Com o enredo Que Chita Bacana, a escola contou a história da chita desde seu surgimento, na Índia, até tempos recentes da tropicália brasileira, baseando-se no livro homônimo idealizado por Renata Mellão e Renato Imbroisi, editado pelo museu A CASA.

De acordo com o carnavalesco Cid Carvalho, a idéia de levar a chita à passarela é fruto de outra idéia. “Muitas manifestações são símbolos da brasilidade, mas não são originalmente brasileiras. Por exemplo, Carmem Miranda, que é portuguesa, o futebol, que é inglês e o próprio carnaval, que foi importado para cá. A chita é a mesma coisa. Ela veio da Índia, mas hoje é um símbolo da brasilidade”. No entanto, ao se aproximar da história o tecido, o carnavalesco percebeu que ela era mais do que suficiente para constituir um enredo: “no fim das contas, percebemos que a chita por si só já dava uma história e tanto”, completa.

A chita foi trazida da Índia pelos europeus, que estavam em busca das especiarias, à época das grandes navegações. Quando levada para a Inglaterra, passou a constituir os motivos decorativos das louças. Mas é ao ser levada ao Brasil que a chita ganha formas nunca antes vistas, inspiradas na fauna e na flora locais. “No Brasil nós temperamos e deixamos muito mais gostoso”, afirma Alexandre França, pesquisador, viabilizador e administrador da Estácio de Sá. O desfile da escola terminou com um carro que fazia referência ao movimento tropicalista, e a chita aparece como símbolo de resistência contra a ditadura. “Usar a chita naquela época era como uma resistência, ela é forte, bonita, chocante, livre, solta e foi muito usada na época das cinzas, da escuridão, da ditadura”, assinala Alexandre.

Todas as alegorias foram compostas, pelo menos em parte, com tecido de chita. Para Cid Carvalho, “contar a história da chita é contar a própria trajetória do país”.

 Samba enredo: Que Chita Bacana

 
Sou a Chita Bacana a brilhar
No batuque da Estácio de Sá
Sou o samba raiz felicidade
Na força da Comunidade

Sou bonita e faceira nasci na Índia
Para o mundo conquistar
Deserto atravessei
Cruzei as ondas da mar
Na epopéia uma viagem fascinante
Na Europa deslumbrante então cheguei
No Chá das cinco porcelanas decorei
Através dos portugueses
No Brasil desembarquei

Desbravando esta terra na imensidão
Me pintei com o colorido deste chão
Com a fauna e a flora ergui sua bandeira
Sou a Chita Brasileira

Com fé cultivei a esperança
Num sorriso de criança
O palhaço colori
Vesti cortejo do Maracatu
Dancei em quadrilhas de São João
Na Festa do Divino minha devoção
O movimento Hippie representei
Com o Velho Guerreiro buzinei
Na Tropicália fui a sensação
Conquistei de vez esta nação

Compositores: Osmar, Antonio da Conceição, Magu, Marcelo Buda, Neneu, Hugo Bruno e Lucio Moraes

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