Dois espetáculos: duas obras de arte (SP)

fofos-2.jpg                       fofos-1.jpg 

Assisti, neste fim de semana, a dois espetáculos teatrais que mostram como esta arte, pela qual sou inteiramente dedicada, mantém sua força cênica e conta com profissionais competentes e conscientes de seu “ofício”: a estréia de A Moratória, na montagem do Grupo TAPA e A Mulher do Trem (que começou carreira em 2003),  do grupo Os Fofos Encenam.

Em primeiro lugar, não posso deixar de registrar que dá gosto ver o teatro lotado. Bons espetáculos, em espaços alternativos, nem sempre conseguem a notoriedade que merecem. O Sesc (onde está em cartaz a peça do TAPA), com a seriedade e apoio que dá ao teatro, sempre conta com um público cativo que acompanha sua programação ao redor da cidade e do interior. Quando tem um espetáculo de qualidade como este, então, faça fila pra conseguir um lugar na platéia. Mas ver um espaço novo (inaugurado em nov/2007) lotando, como o do grupo dos Fofos, é resultado de um trabalho de grupo de qualidade.

A Mulher do Trem marca Leopoldo Pacheco como diretor de arte dos espetáculos da companhia e faz com que, em parceria com Carol Badra (uma das fundadoras do grupo e ótima atriz), ganhem o prêmio Shell de melhor figurino, em 2003. Vários outros prêmios vieram em seguida: Melhor espetáculo, direção, trilha sonora, figurino, ator (Newton Moreno), ator coadjuvante (José Roberto Jardim) e atriz coadjuvante (Silvia Poggetti) no Festival de Teatro de São José dos Campos; melhor diretor de comédia (Fernando Neves) e atriz cômica (Carol Badra) no Prêmio Qualidade Brasil.

A maquiagem é fundamental na caracterização das personagens e, junto com o figurino, colabora muito com a criação dos “tipos” presentes em cena (vide fotos no alto deste post), neste circo-teatro, representados com um respeito ao texto (sem cacos), técnica vocal e graça admiráveis. Vida longa ao grupo e sua nova sede (Rua Adoniran Barbosa, 151 - Bela Vista - (11) 3101-6640. Aceita reservas por telefone)!

tapa004.jpg

Quanto ao trabalho do grupo TAPA, inegável a qualidade no trabalho de pesquisa de Eduardo Tolentino e sua trupe. Os figurinos e cenários de Lola Tolentino merecem um post a parte, já que as histórias são muitas. Desde os móveis de fazenda comprados no interior de São Paulo e utilizados cenicamente, sempre com signos representativos para a história, ao invés de meros aparatos decorativos. Até os vestidos confeccionados a partir de toalhas de mesa originárias de vários países pelos quais a figurinista já passou. Tudo colabora (relógio, quadros, cadeiras…) com a trama desta família que vivencia muitas perdas em decorrência da crise do café em 1929.

Este texto de Jorge Andrade foi montado pela primeira vez em 1955, pela Companhia de Maria Della Costa e dirigida por Gianni Ratto, que havia chegado ao Brasil no ano anterior e encenava sua terceira peça com o grupo. A presença da atriz na platéia foi uma grande homenagem (a atriz foi convidada de honra do grupo e do Sesc), principalmente aos que haviam presenciado a montagem anterior com seus planos separados e agora tem a oportunidade de conferir a sobreposição proposta por Tolentino.

tapa-3.jpg Detalhes, como a troca da bota pelo sapato ou ainda o colete, colaboram para que Zécarlos Machado “viva” Joaquim do campo para a cidade.

Mas esta não foi a primeria montagem do autor pelo TAPA. Zé Carlos havia dirigido a peça O Telescópio, que será filmada para a TV Cultura, em março. E Rastro Atrás, que também fez longa temporada. Na foto desta última peça, meu amigo e parceiro do Nosso Grupo de Teatro, Tony Giusti, e a atriz Fabiana Vajman.                  tapa-rastro-atras.jpg

O espetáculo A Moratória pode ser conferido ao vivo no Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque - (11) 3234-3000) até 16/março.

2 Responses to “Dois espetáculos: duas obras de arte (SP)”

  1. Mitchi Kwiatkowski Says:

    Olá, tudo bem???
    Adorei o teu blog, é bastante interessante!
    Realmente a possibilidade de ver espaços alternativos com grande número de público é algo gratificante não só para quem trabalhou para isto, mas também para quem admira a cultura e a arte!!!
    Os figurinos, pelo que observei nas fotos, foram bem preparados, merecendo todos os aplausos!!!
    Beijos

  2. Rosane Muniz Says:

    Mitchi, realmente os dois figurinos comentados foram feitos por profissionais da área. Muito bem pensados, pesquisados, concebidos. Mas o figurino não é nada sem estar em cena. Confira os espetáculos e comente aqui depois o que achou, já que vê-los no corpo do ator e colaborando com o que ele quer contar é que é uma mágica!!!
    Obrigada pela participação aqui!!
    Bjos

Leave a Reply