Resumo do Colóquio de Moda em Belo Horizonte

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Post enviado por Andréa Gasparini Maciel – Belo Horizonte

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O 3º Colóquio de Moda aconteceu em Belo Horizonte, entre os dias 2 e 5 desse mês, na Faculdade de Moda CIMO - uma iniciativa de Kathia Castilho, professora de cursos de Graduação e Pós-Graduação de várias Universidades, dentre as quais Anhembi Morumbi-SP, IBModa-SP, Senac-SP e da Universidade de Vila Velha-UVV. O evento contou com a colaboração de muitos profissionais e instituições ligados à moda por algum viés, com participantes representando todos os Estados da Federação, do Amazonas ao Rio Grande do Sul.
 
O objetivo dos organizadores era proporcionar um encontro dessa diversidade formando um panorama das instituições superiores e técnicas e dos profissionais que pensam, ensinam e fazem moda no Brasil. O intuito do Colóquio não foi o de formatar e criar uma linguagem única entre os “autores desse cenário”, mas propor que referenciais teóricos em comuns mínimos possam fazer parte do currículo dessas instituições de ensino, como base para um diálogo de inter-relações entre moda, design, estilo, figurino, modelagem, ergonomia, história, comunicação, mercado (negócios) etc.

Puderam-se conferir as várias abordagens da moda nas Mesas e nos GT’s durante o período de realização do evento. Nas mesas, os destaques do primeiro dia pela manhã foram para temas como a Pesquisa Acadêmica e Indumentária, com a participação de João Braga, dentre outros, ressaltando a importância da pesquisa para os profissionais da moda em seu amplo universo.
 
A tarde prosseguiu com o tema Negócios, onde nos foi mostrada uma perspectiva sombria pelo palestrante Rui Gonçalves, professor da Cimo e da Faesa, sobre o futuro das confecções no Brasil com o crescente aumento dos mercados chineses e indianos e como isso nos afetará. Na sua visão, as indústrias têxtil e de confecções fatalmente estarão fadadas ao fracasso com a ascensão desses países. Em minha opinião, ele esqueceu que a indústria da moda não se pauta apenas pelo menor preço. Que moda desperta outros desejos que não apenas a necessidade do vestir. Tivemos também a presença de Eduardo Maciel, do Sebrae de Pernambuco, falando sobre novas aplicações para a Renda Renascença. O design como diferencial competitivo.
 
O tema Processo de Criação teve os estilistas Ronaldo Fraga e Mario Queiroz como convidados. Cada um narrou a sua maneira de desenvolver as coleções, sendo que Mario ressaltou a importância da pesquisa do tema caminhar paralelo à pesquisa dos materiais. Esta mesa contou ainda com Cláudia Marinho, professora e pesquisadora da Anhembi Morumbi, que abordou a crítica da gêneses do processo criativo, uma metodologia que possibilita estabelecer novas conexões com o repertório já conhecido do artista/designer.
 
Para o assunto Moda e Mídia estiveram presentes Eloisa Aline, do estado de Minas. Ela contou sobre a dificuldade de inserção de matérias de conteúdos substanciais de moda nos jornais de grande circulação há vinte anos atrás. Carol Garcia, como representante da revista francesa L’Officiel, nos contou da resistência, a princípio, da editoria francesa em aceitar o enquadramento das fotos e do conteúdo produzidos pelos brasileiros. Ainda disse que quando a revista se instalou no país, apenas 30% do seu conteúdo possuía matérias de jornalistas brasileiros e hoje essa porcentagem cresceu para 50%. Ainda sobre Moda e Mídia contamos com a presença de Sylvia Demetresco e Huguete Meier, essa última, dona e editora da Revista Inspiracion. Sua revista é sobre vitrines do mundo inteiro e na sua observação, as vitrines brasileiras são muito criativas, porém a execução às vezes deixa a desejar. Na sua avaliação há excelentes vitrines no Japão, EUA e Canadá, seguida pela Inglaterra, França e Itália. O que ela procura para publicar na sua revista? Coisas diferentes, inusitadas.
 
No último dia tivemos pela manhã o tema Design de Moda. Dois universos distintos que se inter-relacionam. A Moda foi abordada não só voltada ao vestuário, mas a vários objetos do nosso cotidiano, dentre eles, os móveis como roupa por Winnie Bastian. Para Débora Christo, do Senai Cetiqt-RJ, o diálogo entre moda e design flui naturalmente como todo processo, quer seja industrial ou artesanal, no qual são respeitados os desejos e necessidades do consumidor final ou em que se antecipa esses desejos.
 
A última mesa do último dia e nem por isso a menos interessante foi Modelagem e Ergonomia. Enfatizou-se a importância da ergonomia estar presente desde a concepção inicial do projeto. Questionou-se também o que é conforto para a ergonomia e como a ergonomia preventiva pode evitar danos e desperdícios dentro da indústria. Em relação ao ensino da modelagem, duas metodologias diferentes foram apresentadas: uma utilizando o entendimento do aluno sobre matemática e outra através da moulage. Uma pesquisa de extrema importância também foi mostrada no sentido de como desenvolver modelagem para pessoas portadoras de necessidades especiais e desse modo proporcionar a inclusão social desses indivíduos. Esta mesa contou com Oneide Almeida de Carvalho - Moura Lacerda, Flávia Zimmerle - FBV, Patrícia de Mello e Souza - UEL e Suzana Barreto Martins - Anhembi Morumbi. 
 
As exposições orais e os GT’s foram inúmeros. Seus temas versaram sobre Moda, Identidade e Cultura das Aparências, Desenvolvimento Estratégico do Produto, Design de Moda, História e Produção dos Discursos da Moda, Moda Processo de Criação e Produção de Subjetividades, Moda Corpo e Consumo e Marketing e Moda.
 
Houve também o lançamento da revista dObras, da Estação das Letras e Cores, editora de Kathia Castilho. Esta publicação chega para suprir o espaço deixado pela Fashion Theory, que não mais publicará o conteúdo dos artigos brasileiros.
 
Autografaram seus livros por lá Ana Claudia de Oliveira, com “Semiótica Plástica” e Maria Claudia Bonadio, com “Moda e Sociabilidade - Mulheres e Consumo na São Paulo dos anos 1920”.
 
Espero ter contribuído com esse curto resumo.

One Response to “Resumo do Colóquio de Moda em Belo Horizonte”

  1. Rosane Says:

    Andréa, muito obrigada pelo envio do seu resumo. O grande trunfo do blog é exatamente este: ser coletivo e espaço para reflexões e diferentes opiniões que envolvam os assuntos relativos à cena. Como já disse em posts anteriores, a relação a moda no figurino e o figurino na moda é muito complexa e gera variadas observações e análises. Uma delas, é a que o professor Fausto Viana e eu fizemos para a coluna sobre figurino que assinamos na revista dObras, da nossa querida amiga Kathia Castilho e da Tula Fyskatoris, que acaba de ser lançada neste evento.
    Mais uma vez, muito obrigada pela cooperação e espero que mais pessoas, principalmente as que participaram o evento falando sobre figurino (listadas no post anterior, postado por mim, sobre o colóquio), deixem aqui seus comentários.

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