Percepção da luz no Estadão
É bastante rara uma matéria sobre assunto tão específico como a iluminação teatral em um grande veículo de comunicação. Porém, o Caderno 2, do estadão geralmente consegue dedicar um espaço mais amplo para o teatro, não só com matérias de divulgação, mas gerando reflexão.
É o caso de quarta-feira (08/08/07), com a matéria A sonoridade da cena paulistana, de Beth Néspoli, com quatro iluminadores (Tunica, Laércio Resende, Aline Meyer e Eduardo Agni) que puderam contar um pouco do que fazem e refletir sobre as funções e objetivos da luz em cena. Pena que as entrevistas foram individuais e não em um encontro presencial com todos os entrevistados numa “mesa-redonda” ou debate. Quem sabe o próximo assunto em destaque seja a cenografia, a indumentária ou a sonoplastia.
Sugiro que este espaço vá além na reflexão sobre os assuntos levantados na matéria.
Eu começo instigando sobre a percepção, a partir de um trecho no qual a Tunica fala sobre as diferenças entre os tipos de espectador:
“… Esse é o espectador emocional, aquele que se deixa levar. Há também o espectador intelectual, que está lendo tudo o que está acontecendo. É quase um crítico. E, às vezes, a gente consegue os dois resultados: colocamos uma música que vai provocar o estímulo emocional necessário para a cena e que tem uma história política e social que pode agregar mais uma mensagem à cena. Se o espectador souber da história vai incluí-la, senão, já vai estar se resolvendo com a percepção emocional.”
Este trecho me lembrou de Pierre Bordieu, em seu “Economia das Trocas Simbólicas”, quando diz que “esta ‘intenção’ constitui ela própria o produto das normas e das convenções sociais que concorrem para definir a fronteira sempre incerta e historicamente mutável entre os simples objetos técnicos e os objetos de arte.” Difícil perceber onde fica este limiar, não?