MAKING OF, por Aby Cohen
Estar nos bastidores da Scenofest 2007 tem para mim um significado que transcende a este tempo-espaço determinado. Trata-se de todo um processo vivenciado desde a primeira Quadrienal da qual participei em 1995 até a quarta, em 2007. Em 1995, como qualquer pessoa que ali chega, fiquei deslumbrada diante da maior exposição de artes visuais cênicas do mundo e da bela cidade de Praga, mas ao final daquela mostra sentia que me faltavam situações que pudessem promover o encontro entre as pessoas. Em 1999, muito timidamente, a organização promoveu estes encontros, mas só em 2003 isto de fato aconteceu com o lançamento da Scenofest – que poderia dizer é o maior encontro entre profissionais e estudantes deste campo no mundo! A partir dai me senti motivada a continuar acompanhando a Quadrienal e principalmente voltar meu foco para a Scenofest, porque ali estava deflagrada uma real situação de debate, troca e aprendizado em todos os níves, ou seja, os estudantes obviamente aprendem muito, mas também os profissionais e os formadores.
Por baixo desta superfície nos deparamos com possibilidades de cooperação, de realizar algo em conjunto com indivíduos de nações distintas e distantes. Neste momento, compreendi então que existia de fato um espaço para atuar de forma colaborativa neste processo em desenvolvimento e que a Scenofest 07 estava por ser delineada. Em 2003 passei a integrar a OISTAT como membro individual o que me permitiu uma aproximação com a organização da Scenofest 07. Como em qualquer produção teatral estabelece-se um vínculo de compromisso e definem-se responsabilidades, mas ao final funciona como uma grande família, neste caso, espalhada pelo mundo e que só a tecnologia atual pernite reunir neste exaustivo trabalho de realização de um evento do porte do que vimos este ano.
Demoramos algum tempo para otimizar as operações, mas o que até aqui foi criado como banco de dados e estrutura operacional poderá ser reutilizada sem problemas nas próximas produções. Depois de um longo trabalho virtual e alguns encontros presenciais estávamos em Praga! O que significava muito trabalho pela frente. O programa atraiu um grande numero de estudantes e profissionais do mundo inteiro, mais de 7.000 pessoas atenderam a mais de 80 workshops (cerca de 1600 vagas); cerca de 100 projetos individuais ou de grupos provenientes de 30 diferentes paises foram ali apresentados e outros 120 integraram a mostra virtual. Além disto tivemos as palestras, encontros regidos por temas determinados com o intuito de discutir a Cenografia, Indumentária, Som, Luz e Tecnologia do Teatro na atualidade. Toda a realização deste projeto foi organizada com base em trabalho voluntário que contou com, além da equipe fixa, a colaboração de outros profissionais e muitos estudantes no dia a dia do evento.
Durante os dez dias da mostra e outros dias antes e depois, de produção e desprodução, os problemas e satisfações vivenciadas resultaram na reunião ainda maior deste grupo e em objeto de análise para a realização da próxima edição em 2011. Este bastidor repete o que basicamente o público assistiu e participou nos 10 dias de evento: o encontro e colaborações possíveis entre as pessoas envolvidas em um mesmo campo de trabalho na atualidade, a despeito da competição; que, aliás, torna-se cada vez menos importante dentro da própria PQ.